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Respeito os leitores que não fazem dobras nos livros, para não os estragarem; os leitores que não riscam os livros, para não os estragarem; os leitores que não dobram os livros, para não os estragarem; os leitores que não levam os livros a passear para lá da beira da cama, da estante do escritório, para não os estragarem. Respeito até os que não lêem os livros, para não os estragarem.
Já eu, estrago todos os meus livros: não os sublinho, quando não tenho canetas à mão; dobro-os em todas as páginas que me marcam, retribuindo-lhes a marcação; levo-os e espalho-os pela minha vida... E depois, mais dia menos dia, tropeço neste ou naquele, e leio partes das páginas que fui dobrando, assinalando, marcando. E eles, os livros, retribuem-me sempre as minhas visitas fugidias. Respondem-me. Gritam-me.
"As coisas que parecem ter passado são as que nunca acabam de passar"
A Caverna, Saramago