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Modo férias

por Ni, em 24.08.13

Sabes que estás de férias quando lês cinco livros em três semanas. Se posso comentar? Posso. Se posso dar a opinião? Claro que sim. E fazer umas citações? Também. Prometo, prometo...Quando acabar as férias...

Agora, não tenho tempo, estou a ler {#emotions_dlg.happy}!

 

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as palavras por detrás da imagem

por Ni, em 17.03.13

Sabem bem, ou pelo menos desconfiam decerto, que não acredito nada nessa história da imagem que vale mil palavras. As palavras são tão múltiplas que nunca poderiam ser só mil. Mas hoje, sem tempo para estas palavras. Deixo-vos a imagem e corro para as outras mil, e mais mil, e mais mil, e mais mil... palavras.

 

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Receita para fazer leitores

por Ni, em 26.02.13

Hoje aconteceu-me outra vez. O miúdo virou-se para mim, esfregou as mãos nos joelhos, e disse-me em voz baixa "não gosto nada de ler...". Parece-me, até, que a voz ficou tremida e as mãos ganharam aquele suor de nervoso, como se fosse fazer algo terrível. 


Perguntei-lhe: "costumas ler?", "alguém lê para ti?". Duas vezes não.


Acontece sempre o mesmo. Os miúdos não leem e eu entendo isso, entendo que a televisão, o computador, sejam muito mais fáceis do que os livros. Nos livros é preciso utilizar a imaginação, é preciso esforço. Entendo que um miúdo possa não gostar de ler porque há outros caminhos mais fáceis. Mas gostar de ler não passa só por ler, gostar de ler passa, também, por ouvir ler. Durante muito tempo respondi aos meus alunos que me diziam que não gostavam de ler este ou aquele texto, "então, deixa-me ler-to... deixa-me ser eu a ler para ti". E mandava-os fechar os livros e lia para eles. Nem todos passaram a gostar de ler, mas houve um, tenho a certeza, que aprendeu a gostar de ler e isso, bem, isso é o que apazigua os meus demónios. 


Há professores que avaliam, pedem, corrigem e criticam leituras, mas que são, sei lá porquê, incapazes de ler para os seus alunos. Às vezes, muitas vezes, os alunos apenas não sabem ler, porque nunca ninguém lhes ensinou a passar do processo de juntar letras. Esse salto, ou se faz por vocação, ou por se ouvir alguém fazer.


Há professores que gostam de ler. Tenho uma colega, pelo menos uma, que lê, mesmo, a sério, com prazer. Lê e, quando ela lê, os alunos ficam com vontade nos olhos e água na boca. Já por diversas vezes a ouvi ler e tenho a certeza que as suas leituras estão a fazer leitores.


 


Para ler, um livro sobre leitores e leituras, Como um romance, Daniel Pennac


"Os direitos inalienáveis do leitor:


1. O direito de não ler


2. O direito de saltar páginas


3. O direito de não acabar um livro


4. O direito de reler


5. O direito de ler não importa o quê


6. O direito de amar os heróis dos romances


7. O direito de ler não importa onde


8. O direito de saltar de livro em livro


9. O direito de ler em voz alta


10. O direito de não falar do que se leu."

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tropeçar nos livros

por Ni, em 15.02.13

Respeito os leitores que não fazem dobras nos livros, para não os estragarem; os leitores que não riscam os livros, para não os estragarem; os leitores que não dobram os livros, para não os estragarem; os leitores que não levam os livros a passear para lá da beira da cama, da estante do escritório, para não os estragarem. Respeito até os que não lêem os livros, para não os estragarem.


 


Já eu, estrago todos os meus livros: não os sublinho, quando não tenho canetas à mão; dobro-os em todas as páginas que me marcam, retribuindo-lhes a marcação; levo-os e espalho-os pela minha vida... E depois, mais dia menos dia, tropeço neste ou naquele, e leio partes das páginas que fui dobrando, assinalando, marcando. E eles, os livros, retribuem-me sempre as minhas visitas fugidias. Respondem-me. Gritam-me.


 


"As coisas que parecem ter passado são as que nunca acabam de passar"


A Caverna, Saramago

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Atiçar vontades

por Ni, em 10.01.13

Gosto tanto mais de um livro, quantas as vezes em que me encontro nas suas palavras. Gosto tanto mais de um livro, quantas as vezes em que tropeço em palavras que foram pensadas para mim, às vezes até, ainda que me julguem imodesta, e sou e sou!, palavras que num ou outro momento, um instante, quase nada, foram minhas. Tenho a certeza...


 


"(...) o velho Alfredo oferecia livros ao menino e convencia-o de que ler seria fundamental para a saúde. Ensinava-lhe que era uma pena a falta de leitura não se converter numa doença, algo como um mal que pusesse os preguiçosos a morrer. Imaginava que um não leitor ia ao médico e o médico o observava e dizia: você tem o colesterol a matá-lo, se continuar assim não se salva. E o médico perguntava: tem abusado dos fritos, dos ovos, você tem lido o suficiente. O paciente respondia: não, senhor doutor, há quase um ano que não leio um livro, não gosto muito e dá-me preguiça. Então o médico acrescentava: ah, fique pois sabendo que você ou lê urgentemente um bom romance, ou então vemo-nos no seu funeral dentro de poucas semanas.  O caixão fechava-se como um livro."


Valter Hugo Mãe, O filho de mil homens

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