Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Feira das palavras (2)

por Ni, em 14.01.13

E há também estes dias em que as minhas personagens insistem em não me sair da cabeça e os demónios têm de ser aplacados.


 


"Gustavo estava satisfeito com a vida que levava. Mas não suportava aquele estado geral de vidas paralisadas por um medo alojado nas pessoas que o rodeavam. O medo transformava as pessoas. Despia-as. E a nudez mostrava as fraquezas de todos, até as suas. Sim, porque ele acreditava, ele queria acreditar, e, quando se quer acreditar, mais cedo ou mais tarde, acaba-se por acreditar, que aquele olhar não passara de uma fraqueza.


Os seus olhos cruzaram-se por um instante, breve demais para ser um instante. E, agora, não entendia como num instante, breve demais para ser um instante, coubera tanta palavra. Hoje sonhei contigo. Há anos que não sonhava contigo. O teu rosto não passa já de um esboço e mesmo no meu sonho és fugaz, és ausência. E não compreendo, ainda hoje não compreendo, como é que a tua ausência pode encher desta forma a minha vida."

Autoria e outros dados (tags, etc)


Feira das palavras

por Ni, em 30.11.12

"Quando acordou não abriu os olhos. Deixou-se ficar, imóvel, sentindo a sua própria respiração, buscando-se no seu interior. Percebera que os demónios que se alojam no coração, mesmo enterrados sob a distância e o tempo, não morrem, antes se apropriam da alma dos que julgam tê-los expulsado. 


 


Tateou, de olhos fechados, a mesinha de cabeceira, à procura dos óculos. Não lhe apetecia ver, queria continuar no seu silêncio íntimo, queria esquecer. Sabia que tinha sido um breve olhar, fugaz, ensaiado há mil anos, que desenterrara o seu demónio.


 


Colocou os óculos e, quando finalmente abriu os olhos viu a sua figura refletida no espelho. Os cabelos louros e esguios que se torciam junto ao pescoço, os olhos e os lábios inchados pelas horas de insónia, nada daquilo era já ela (...)"


 


Disse Saramago numa entrevista à Playboy


"Parece haver uma predestinação em tudo aquilo que faço. Há coisas que acontecem e que suscitam outras ideias, portanto é tudo uma questão de estar com atenção ao modo como essas ideias se desenvolvem. Algumas delas não têm saída, mas há outras que encontram seu próprio caminho. Não escrevo livros para contar histórias, só."

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2012
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2011
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2010
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2009
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D