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Tenho borboletas na barriga. 

Sabem aquele dia antes de partir de viagem? Sabem aquela hora em que fazem as malas e, mentalmente, antecipam todos os momentos da viagem que vão fazer? Sabem o momento em que chegam ao outro lado? É isso que me deixa borboletas na barriga. Partir. A iminência da partida.

 

E por cada dia sem partir, duplica-se-me a vontade. Assim, este ano pedi prenda do dia da mãe. Nem Chanel, nem Prada, nem sequer Zara. Nem diamante, nem relógio, nem pulseira. Apenas e só a possibilidade de partir. A possibilidade de ir a qualquer lado bom, onde o sol espreite, e os sorrisos abundem. E os meus filhos ( com a supervisão do homem da casa) fizeram-me a vontade.

 

Por isso, tenho borboletas na barriga e levei a tarde toda a dançar. Com os meus filhos!

Haverá prenúncio melhor para o dia da mãe?

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Lamento informar os meus dois, vá lá três, leitores que este post vai ser escandalosamente racional, rasando a provocação, por isso, não querendo ferir suscetibilidades, aconselho os mais sensíveis a parar de ler os parágrafos seguintes ou saltarem para isto, que vos faz melhor à alma.

 

Se, mesmo avisados, continuam a ler estas palavras, é porque não ligam assim tanto ao que eu aqui digo e, então, merecem ficar escandalizados porque eu tenho mais que fazer do que escrever para quem não me liga. 

 

Esclarecimentos feitos, tenho a declarar que isto de ser mãe está sobrevalorizado para além dos limites de uma qualquer linha do horizonte. Amo os meus filhos. Sou feliz quando os meus filhos são felizes. Sofro horrores quando eles sofrem. Para além disto, há a realidade de as mulheres gozarem as alegrias e as dores da maternidade desde a expulsão do paraíso. Não me parece que uma mulher por deixar de ter vida própria e passar a viver a vida de um filho o ame mais do que eu. Também não me parece que uma mulher, por ser mãe, possa ser mais ou menos feliz; como diz alguém que eu conheço: há diferentes tipos de amor... e eu acrescento: há diferentes tipos de felicidade. 

Incomoda-me que, a partir de certa altura, quando encontras uma amiga, duas, ou três, as conversas não fujam de conversas de filhos, sobre os filhos, à volta dos filhos. Incomoda-me tanto como me espanta, de espanto bom, ingénuo e doce, a alegria dos olhos da minha filha quando ontem conseguiu, pela primeira vez, andar na bicicleta sem rodinhas. Para além desse momento único não há mais nada a dizer. Para além desses momentos, ser mãe está sobrevalorizado. 

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Mãe com "p" de pai

por Ni, em 01.05.11

Hoje devia escrever acerca da alegria de ser mãe, de como os meus filhos encheram a minha vida de felicidade; devia escrever acerca do amor, que não se pode medir porque não tem fim, que sinto por eles. No entanto, ao escolher as palavras certas, tropeço sempre no teu nome: tu que com o teu amor me fizeste mãe, tu que me ajudas, todos os dias, a ser uma mãe melhor, tu que divides comigo as tristezas de os ver tristes, de os ver doentes, tu que me dás a força de um pai, quando uma mãe precisa da força de um pai... 

 

A mãe que hoje sou não é feita só de mim, nem de amor maternal. A mãe que hoje sou é feita de mim contigo a meu lado.

 

...aqui, deste lado da montanha!

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Maternal_mente

por Ni, em 01.05.11

A minha mãe não me levou à porta da escola, não me deu a escolher o almoço, não brincou comigo nos fins de tarde, não me leu histórias ao adormecer; a minha mãe não partilhou segredos comigo, não soube quem eram os meus namorados adolescentes, não conhecia as minhas amigas de escola, não me levou a acampamentos, nem a discotecas, não me comprou roupas de marca. A minha mãe não me deu prendas por passar de ano e proibiu-me de ler...A minha mãe ralhou-me muitas vezes, bateu-me, poucas. 

 

A minha mãe foi, sem dúvida, a melhor mãe que eu poderia ter tido. Ensinou-me que a crescer também se aprende, mostrou-me que a vida é uma luta constante pela felicidade. Com ela, aprendi que as coisas não acontecem a partir do nada e percebi que o amor é um sentimento que não está pronto a consumir. O amor é feito de pequenas palavras e de grandes silêncios partilhados, porque a minha mãe sempre me obrigou a beijá-la todos os dias, quando a deixava e quando a reencontrava e, muito mais tarde, percebi que esses beijos eram o selo de um amor que não acabará nunca, o selo de um amor que não acabava nunca com a distância, qualquer que ela fosse, de uns 500 metros até à escola primária, ou de uns 500 quilómetros até ao local de trabalho. Hoje sei que a minha mãe está sempre para mim, é um exemplo, uma heroína e, acima de tudo, o meu colo!

 

...aqui, deste lado da montanha!

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Filha da mãe

por Ni, em 19.04.11

Hoje devia ser dia da mãe. Hoje eu escrevi um post, para elogiar o meu arrojo, a minha iniciativa, a minha indospição para o comodismo envelhecedor. Hoje eu gabei a minha procura pela alegria na realização de um sonho tão antigo que eu até cheguei a julgá-lo morto... Porém, quando reli este inchaço de gabarolice, compreendi que não há nada de espantoso nisto.

 

Espantoso é que a minha mãe, que tem mais de sessenta anos, se recuse a ficar em casa a envelhecer e vá à procura da realização de um sonho tão antigo que se julgava esqueleto. Espantoso é que a minha mãe continue a ter força, coragem, vontade para, dia atrás de dia sem perceber como as notas se juntam, continuar a tentar aprender a tocar acordeão. 

 

Espantoso é que a minha mãe tenha a coragem de uma leoa, a alegria de um pássaro em liberdade e o amor de uma Mãe!

 

...aqui, deste lado da montanha.

 

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Brainstorming

por Ni, em 03.05.10

lutadora, forte, corajosa, linda, divertida, meiga, carinhosa, trabalhadora, curiosa, elegante, alice, esposa, cozinheira, colo, artista, enfermeira, abrigo, inteligente, amor...

 

Estas são algumas palavras que me ocorrem para falar da minha mãe, mas todas são tão pouco. Queria que compreendessem que o amor que trago no coração é parte do que ela me deu, que a beleza foi ela que ma pôs nos olhos, queria que entendessem que ela me ensinou a ser quem sou, a conhecer o mundo, a estimar a vida.

 

E, mesmo depois disto, se compreendessem tudo isto, ainda haveria tanto, tanto para dizer sobre a minha mãe.

 

...aqui, deste lado da montanha.

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