Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Como peixe na água

por Ni, em 03.09.11

O meu pequeno foi à piscina, a sério, com professora, touca e chinelos, pela primeira vez. Adorou. Eu também. Adoro as brincadeiras, o contacto corpo a corpo, aquela dependência-confiança, limpa de qualquer réstia de receio, nas mãos que o seguram.

Não é um peixe, como a irmã, que gritava, com quanto ar tinha nas pulmões, digo, nas guerlas, assim que a fazíamos sair da água ou que, ainda hoje, nos dias de piscina, acorda a falar na piscina e adormece a falar do próximo dia de piscina, como eu dizia, não é um peixe, como a irmã, mas, certamente, pelo que se viu, será um brilhante golfinho. 

 

...aqui, deste lado da montanha.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Coisas boas da vida

por Ni, em 04.07.11

Caiu o primeiro dente de leite da minha filhota e ela anunciou aos sete ventos (educadoras, avó, madrinha, senhora da padaria, senhora com quem nos cruzámos no passeio que se riu ao vê-la de mão dada com o irmão...), anunciou que já era mais velha e que estava desdentada e que já era mais velha... e no momento de se deitar, de colocar o dente debaixo da almofada à espera da fada dos dentes, foi perguntando se ela conhecia o Pai Natal, se fazia barulho e, baixando a voz com os olhitos assustados, se eu tinha tido medo quando a fada dos dentes levou o meu dente, se funcionava também pôr o dente debaixo da minha almofada, no meu quarto...

Todos os dias descubro que ser mãe é mesmo assim: orgulhas-te da tua menina que está tão crescida e divides a tua almofada com um dentinho, enquanto aguardas a chegada da fada dos dentes, conhecida do Pai natal!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Os miúdos

por Ni, em 04.05.11

Os miúdos não páram de me surpreender: entre o desespero de dizer (gritar??!!), até à rouquidão, "está quieto", "não mexas aí", "come", "cala-te", "senta-te", "apanha os brinquedos", "não batas na mana", não batas no mano", "tira os dedos do nariz, da boca, do lixo, da sanita..." e outras barbaridades; estava eu a dizer, entre o desespero de já nem eu suportar a minha voz e a impaciência que vai aumentando para além de um limite que eu considerava inultrapassável, entre a espada e a parede, sou assaltada por dúvidas constantes sobre educação, sobre ser mãe, sobre amor.

 

Ah!, sim, sinto um certa inveja dos que estão tão certos acerca da boa educação que dão aos seus filhos, tendo-a como a correta, a adequada, a infalível. Eu, pelo meu lado, nunca tenho a certeza se vou pelo caminho certo. Já me enganei, já me arrependi, já voltei atrás. 

 

Vou andando, olhando para os lados, vendo o que os outros fazem, vendo que filhos têm. Vou tentando, errando... aprendendo a ser mãe. E são sempre eles, os miúdos, que me ensinam.

 

...aqui, deste lado da montanha.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mãe com "p" de pai

por Ni, em 01.05.11

Hoje devia escrever acerca da alegria de ser mãe, de como os meus filhos encheram a minha vida de felicidade; devia escrever acerca do amor, que não se pode medir porque não tem fim, que sinto por eles. No entanto, ao escolher as palavras certas, tropeço sempre no teu nome: tu que com o teu amor me fizeste mãe, tu que me ajudas, todos os dias, a ser uma mãe melhor, tu que divides comigo as tristezas de os ver tristes, de os ver doentes, tu que me dás a força de um pai, quando uma mãe precisa da força de um pai... 

 

A mãe que hoje sou não é feita só de mim, nem de amor maternal. A mãe que hoje sou é feita de mim contigo a meu lado.

 

...aqui, deste lado da montanha!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Maternal_mente

por Ni, em 01.05.11

A minha mãe não me levou à porta da escola, não me deu a escolher o almoço, não brincou comigo nos fins de tarde, não me leu histórias ao adormecer; a minha mãe não partilhou segredos comigo, não soube quem eram os meus namorados adolescentes, não conhecia as minhas amigas de escola, não me levou a acampamentos, nem a discotecas, não me comprou roupas de marca. A minha mãe não me deu prendas por passar de ano e proibiu-me de ler...A minha mãe ralhou-me muitas vezes, bateu-me, poucas. 

 

A minha mãe foi, sem dúvida, a melhor mãe que eu poderia ter tido. Ensinou-me que a crescer também se aprende, mostrou-me que a vida é uma luta constante pela felicidade. Com ela, aprendi que as coisas não acontecem a partir do nada e percebi que o amor é um sentimento que não está pronto a consumir. O amor é feito de pequenas palavras e de grandes silêncios partilhados, porque a minha mãe sempre me obrigou a beijá-la todos os dias, quando a deixava e quando a reencontrava e, muito mais tarde, percebi que esses beijos eram o selo de um amor que não acabará nunca, o selo de um amor que não acabava nunca com a distância, qualquer que ela fosse, de uns 500 metros até à escola primária, ou de uns 500 quilómetros até ao local de trabalho. Hoje sei que a minha mãe está sempre para mim, é um exemplo, uma heroína e, acima de tudo, o meu colo!

 

...aqui, deste lado da montanha!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Maternal...mente

por Ni, em 29.04.11

Esta condição de ser mãe pega-se-nos à pele, entranha-se nos poros e acompanha-nos  em cada momento das nossas vidas. Quando se é mãe, não à "volta atrás", nunca mais se deixa de o ser. E isso é bom, ah!, sim, é muito bom! Mas transforma a tua vida numa outra vida, que nunca é já só tua. Não acredito naquelas pessoas que dizem "ah... eu não mudei a minha maneira de ser por ser mãe, eu nunca alterei os meus planos por ser mãe...". Impossível!

 

Eu, pelo contrário, procuro entre esta coisa de ser mãe vestígios de mim, tento resgatar-me aos dias inteiros a ser mãe, porque sou mãe a tempo inteiro, todos os minutos da minha vida, mas, contra algumas expectativas, não quero ser apenas mãe, quero ser eu, quero ser Alma Ni, quero namorar, ler, ensinar, dançar, conversar. Sou egoísta? Talvez. Mas que mal há num egoísmo que, tenho a certeza, torna a vida dos meus filhos melhor?

 

...aqui, deste lado da montanha.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Filha da mãe

por Ni, em 19.04.11

Hoje devia ser dia da mãe. Hoje eu escrevi um post, para elogiar o meu arrojo, a minha iniciativa, a minha indospição para o comodismo envelhecedor. Hoje eu gabei a minha procura pela alegria na realização de um sonho tão antigo que eu até cheguei a julgá-lo morto... Porém, quando reli este inchaço de gabarolice, compreendi que não há nada de espantoso nisto.

 

Espantoso é que a minha mãe, que tem mais de sessenta anos, se recuse a ficar em casa a envelhecer e vá à procura da realização de um sonho tão antigo que se julgava esqueleto. Espantoso é que a minha mãe continue a ter força, coragem, vontade para, dia atrás de dia sem perceber como as notas se juntam, continuar a tentar aprender a tocar acordeão. 

 

Espantoso é que a minha mãe tenha a coragem de uma leoa, a alegria de um pássaro em liberdade e o amor de uma Mãe!

 

...aqui, deste lado da montanha.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Tempos de mãe

por Ni, em 15.12.10

Às vezes, só às vezes, muito de vez em quando, em horas mais ou menos iguais às de hoje, parece-me que me falta qualquer coisa nesta coisa de ser mãe, parece-me, até, que não vou aguentar, que as lágrimas vão rebentar, que vou gritar de desespero... Depois, os minutos vão passando e o choro dele torna-se saudades, os pedidos de colo são a minha ausência, as birrices para comer são apenas sono, as palavras bruscas dela tornam-se saudades, os pedidos de brincadeira são a minha ausência, as parvoíces são apenas chamadas de atenção. Depois, os minutos vão passando e parece-me que me falta qualquer coisa nesta coisa de ser mãe, parece-me, ainda mais, que não vou aguentar, que as lágrimas vão rebentar, que vou gritar de culpada...

 

Sou só eu, ou ser mãe é, também, este estado de culpa por não ter tempo, não ter tempo, não ter tempo? Os dias a passar, os jantares por fazer, os relatórios avaliativos por escrever, a roupa por passar, as fotos por imprimir, as prendas por comprar, a casa por arrumar, o homem por mimar, os miúdos por acarinhar e não, nunca, ter tempo...

 

Querido Pai Natal, este ano acho que me portei mais ou menos bem, por isso, gostaria de te pedir umas horas para fazer o que me apetecer. Isso ou faz-me ganhar o euromilhões para arranjar uma empregada!

PS: É bom que te esforces, Pai Natal, ou terei que começar a portar-me mal...

 

...aqui, deste lado da montanha.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Faceblog

por Ni, em 11.08.10

Uma vez uma amiga minha, que não vem ler o meu blog, disse ou escreveu em algum lado que o Facebook matava os blogs. No meu caso, o meu blog está a matar o Facebook. Por lá, só páro para ver as novidades, quando as há, ou seja, quase nunca. Vou espreitar a vida virtual dos meus amigos e descubro que uns andam ocupados demais com os tomates e as ovelhas, outros têm, de repente, tantos amigos que me questiono se ainda terão tempo para mim, outros "conversam" com pessoas que não vêem há anos e que julgam as mesmas, outros actualizam os perfis que não são seus, outros fazem comentários tentando com isso aproximações estranhas, e eu lá vou mantendo a esperança de vir a entender o Facebook, de lhe ver a utilidade, de lhe encontrar um sentido.

 

O meu blog? O meu blog dá-me espaço para escrever. Não é um diário, porque escrevo sempre a pensar nos meus dois, vá lá três, leitores (não posso escrever mal deles...), mas quando publico um post como o anterior, de repente, passo a ver as coisas de forma diferente e, só por isso, vou arranjar-me, preparar os miúdos, dar um beijo no meu amor e vou para a minha praia linda curtir o sol...

 

Se virem uma mãezona gira com um rebento de gabela, a gritar por uma princesa, acompanhada de um homem lindo, podem ter a certeza, sou eu!

 

...aqui, deste lado da montanha.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Materna semana de férias

por Ni, em 11.08.10

Vim para estas férias com a certeza de que não iriam ser fáceis. Afinal, são as primeiras férias - mais de dois dias - a quatro, sendo que o elemento recém-chegado ao grupo não come como nós, não anda como nós, não brinca como nós, não suporta o sol como nós, não suporta a água como nós, não dorme como nós... Os dias não se adivinhavam fáceis.

 

Ao fim de três dias, confesso que estou um pouco cansada, esgotada, irritada, enfim, a precisar de férias... Tudo isto poderia até não ser tão negativo, mas, na verdade, há também um sentimento de culpa que me invade e que me faz pensar que eu não sou uma boa mãe. Amo muito os meus filhos, mas esta incapacidade de me adaptar à vida de mãe, esta insatisfação, esta vontade de ser mais do que mãe, entristece-me e faz-me pensar que talvez eu não seja uma boa mãe...

 

...aqui, deste lado da montanha.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2012
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2011
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2010
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2009
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D