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O outro lado de ser mãe

por Ni, em 28.06.12

Estou triste. Não exclusivamente por mim, mas por uma amiga. Não tenho jeito para as palavras, elas atropelam-se e dizem sempre outra coisa do que quero dizer. Escrever é mais fácil. E não, não me enganei no título. Não quero falar de amizades, nem tristezas, mas, outra vez, desta descoberta constante de ser mãe. 

 

Há o amor desmedido, incomensurável, sempre, inquestionável, inabalável. E, depois, há o outro lado de ser mãe: a culpa.

Ser mãe é ser incapaz de viver para lá dessa sensação de talvez, de dúvida, de incerteza, de culpa. Esta coisa que nos assalta, assombra, a propósito de tudo, desde sempre.

 

Se o meu filho é agitado, bebi café demais durante a gravidez;se tem cólicas, comi laranjas durante a amamentação; se é pequenino, dou-lhe comida a menos; se é gordinho, dou-lhe comida demais; se está constipado, não lhe pus o casaco; se está constipado, não lhe tirei o casaco; se esteve internado com varicela, não tive cuidado; se o médico o medicou mal, eu levei-o ao médico; se tem alergias, dei-lhe ventilan a mais; se tem falta de ar, não lhe dei ventilan suficiente... 

 

Na verdade, são dois lados de um mesmo amor. Quem ama preocupa-se, questiona-se, culpa-se. Por isso, embora uma mãe julgue sempre que a sua culpa é única, ela é, apenas, a maior. Porque há outras culpas, já que há outros amores...

 

Na verdade, fizeste o que estava certo, levaste-o ao médico. Na verdade, não há erro. Na verdade, não há culpa, ou então há uma culpa partilhada: minha, dos avós, dos tios, dos amigos. A culpa do outro lado do amor. E isso não se devia aprender só quando se é mãe, o Aviador ensinou ao Principezinho que, quando cativas alguém, sabes que "te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Eu também sou responsável pelo teu filho.

 

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Mountain View, California

por Ni, em 24.06.12

 

E agora que conseguiste captar a minha atenção com as tuas visitas quase diárias ao O Outro Lado da Montanha, podes matar a minha curiosidade?? Podes????!!! Please!

 

Um comentáriozito ali em baixo e estamos conversados...

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Desculpem lá

por Ni, em 23.05.12

 

estou a perder-me entre Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia

 

Nunca foram tentados ao primeiro olhar, só porque algumas palavras decidiram juntar-se para vos provocar??

 

Há vícios que têm de perdurar para lá da crise. Digo eu a mim mesma, na esperança de uma desculpa mais do que esfarrapada. Que significa levar o almoço na marmita ou usar as calças mais do que revistas? Enquanto houver um livro por ler, haverá um mundo para lá da crise...

 

...aqui, deste lado da montanha.

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E por que razão vi eu pela primeira vez na minha vida uma edição completa dos Globos de Ouro? Por que razão estava eu a apodrecer o que me resta do cérebro em frente do desfile mais ou menos sem graça da querida Bá-Bá? 

 

Porque não estava a ler. E quem não lê não aprende, não sabe, não conhece e, depois, escreve tristes posts como este.

 

Por outro lado, porque há sempre outro lado na montanha, estava dedicada ao mais meu novo passatempo, que, contrariamente à leitura, me permite ver televisão, conversar e, principalmente, observar atentamente a minha filha filha na piscina, sem que ela me diga, com frequência, "mãe, não viste o meu salto... estavas só a olhar para o livro..." E, assim, das críticas da miúda aliadas à impossibilidade de ficar só a gabar os feitos dos filhos e a contar as historinhas e gracinhas de cada um, e a pensar "ai, o meu é que é bom!", enquanto eles se vão esforçando para se manterem ao de cima, nasceu o vício do crochet. 

 

Que estou viciada, estou! Que esqueci os livros, não! Mas devo estar a ter mais ou menos o mesmo prazer que uma criança tem quando, depois de conhecer todas as letras, se ocupa a juntá-las, descobrindo novas palavras. Assim estou eu... a descobrir palavras!

 

 

 

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Talvez uma das minhas (inúmeras) qualidades seja esta capacidade de adaptação ao meio...

que se dane o gourmet!{#emotions_dlg.annoyed} arranjem-me a porcaria de um livro barato, que não implique gastar 50% do valor do que ando a reservar às pinguinhas para umas calças de ganga, ou que me faça gastar todo o orçamento do mealheiro semanal para ir à Disney (daqui a dois anos...).

 

Parece que vou ter de pôr de lado a teoria de o livro tem de ser meu e começar a ir à biblioteca, outra vez... antes que os efeitos da abstinência comecem a ser muito evidentes.

 

[duas semanas sem livros]

 

...aqui, deste lado da montanha.

 

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Não costumo fazer isto no outro lado da montanha, mas, desta vez, só desta vez, porque me deslumbra a cada página, porque, para lá da sua poesia que eu já admirava, descubro uma prosa que me encanta, cá vai:

 

"Bastava, por outro lado, contemplar essa tecnocasta de videirinhos muito penteadinhos ou com barbinhas bem aparadinhas, esses muito satisfeitos asnos besuntados de Piz Buin e de lugares comuns, todos esses podengos do poder a esburgarem os ossos de um país já sem ossos, e delicioadamente entretidos em corruptas campanhas de campanário ou garganteadas guerrilhas de gabinete, para também imediatamente se adivinhar que jamais teria passado, por detrás daquelas testas carenciadas de recheio, a hipótese, o lampejo, sequer a suspeita de que só o Amor é o centro do Mundo.

 

A Mulher - para eles nunca Rainha, muito menos Deusa - apenas a conseguiriam situar como num arrabalde; e , nesse arrabalde, apenas lograriam entendê-la como um armazem, um albergue, uma estação de serviço, uma rampa de lançamento, quando muito um parque de diversões. Que ela seja, pelo contrário, o centro do centro, o eixo da vida, a porta do céu ou do inferno, a chave de tudo, a redenção do nada - eis o que certo resultaria incompreensível para esses testículos sem alma, para estas almas sem testículos."

David Mourão-Ferreira, Um Amor Feliz

 

Mas, nós, mulheres-rainhas, mulheres-deusas, centros dos centros, eixos da vida, portas do céu ou do inferno, chaves de tudo, redenções do nada, nós, continuamos a desejar, a querer, unicamente, testículos com alma e almas com testículos.

 

...aqui, deste lado da montanha.

 

 

 

 

 

 

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Claraboia

por Ni, em 22.01.12

Terminei o último-segundo livro de Saramago. O que é que eu posso dizer? Que tanto quanto saramago se recordava, tinha coisas que já tinham que ver com o seu modo de ser. É bom, a adivinhar o ótimo. 

 

Gosto muito de um livro quando fujo para ler o final, às escondidas, querendo e evitando. Ah!Sensação mais boa! Desde sempre foi assim. Estava a fazer algum recado á minha mãe, ou a ajudar na cozinha e, de repente, escapava-me para o quarto para ler uma página, só uma, prometia-me eu, mas só os gritos da minha mãe me faziam parar. À noite, esperava que todos tivessem adormecido, acendia as luzes e lia, lia, lia...

 

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A paixão das palavras

por Ni, em 02.01.12

"Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer."

Mia Couto, Mar me quer

 

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A herança

por Ni, em 28.12.11

As coisas têm a importância que nós lhes damos. Não sei quantas vezes ouvi esta frase à Tia, a propósito de pessoas, de ações, de atitudes, de palavras... mas, a bem dizer, parece-me que quando dizia "as coisas" nunca se referia mesmo a coisas. Porém, as coisas também têm a importância que nós lhes damos:

Continuamos as nossas obras infindáveis de reconstrução da casa da Tia, continuamos a aproveitar cada horinha para limpar, pintar, fazer, refazer... e, às vezes, isso é tão bom. Acho que aquela casa está cheia de boas vibrações.

 

Garantidas as divisões essenciais para a habitabilidade da casa, passámos, ontem, ao meramente acessório: o escritório. Agora, nem percebo como deixei passar tanto tempo antes de olhar com olhos de ver cada estantezinha, cada papelinho desta pequena divisão. Os livros não passam de uma dezena, mas cada um é uma revelação, para quem, como eu, se perde do tempo entre as folhas de um livro.

 

Apaixonei-me por dois: uma relíquia de 1877, que vale por cada ano que tem, e um outro que é uma preciosidade, pela imagem feminina que deixa esboçada e porque, se as coisas têm a importância que nós lhes damos, a esta coisa, inexplicavelmente,  eu resolvi dar uma importância do tamanho de um blog.

 

A relíquia:

            

 

A minha joia:

 

 

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Leituras de praia

por Ni, em 20.07.11

Consigo ler vários livros ao mesmo tempo. Não é nada difícil, atendendo a que os livros podem ser categorizados de acordo com as ocasiões.: há os de casa de banho (para ler aos bocados), há os de quarto (para ler o mais possível), há os de "bolso" (para as viagens e fins de semana), há os das férias (para ler quando apetece, e os filhos deixam).

O ano apassado, este foi o meu livro de férias:

 

 Um policial, com enredo meio psicológico, meio social, mas com uma escrita ligeira (ideal para o barulho, gritaria e interrupções da praia) e um pouco viciante. 

 

 

 Este ano, Kepler (muito boa, esta ideia de escrever a dois com um único pseudónimo) volta à carga e eu também.

Já está ali juntinho do biquini e das toalhas...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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