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Só queria um livrinho escrito em bom português (com ou sem acordo), que não fosse sobre vampiros, sobre mulheres queimadas, ou, pior ainda, a última moda, livros fait-divers, sobre a miúda que desapareceu, o cronista assassinado, o futebolista falhado... e, já agora, nada de romances de cordel à boa maneira da Bianca, mas com capas à escritor, e, se não for pedir muito, dispensam-se livros sobre filosofias baratas acerca de felicidade e de como ser feliz em dez passos ou a comer e a rezar...

Assim sendo, excluídos 97% por cento dos livros em exposição, sobram os de Saramago, lidos e relidos,os de António Lobo Antunes, que não consigo ler - sim, cruéis inimigos, têm aqui a oportunidade de me espezinharem, de me atirarem à lama e de me verem cair, não consigo ler Lobo Antunes (num outro post vos explicarei estes melindres da leitura) - e, escondido, atrás de um qualquer de Paulo Coelho, descubro o último de Lídia Jorge. Pego-lhe, misto de desalento, desespero e resignação.

Inventem-se novos escritores!Tanta escrita e tão pouca leitura!

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Um ano depois

por Ni, em 20.06.11

Um ano decorrido, ainda não encontrei novas palavras para substituir as tuas, apenas e só porque as tuas palavras eram tuas e as arrumaste à tua maneira, e me tonaste dependente delas. 

 

‎"Eu, no fundo, não invento nada. Sou apenas alguém que se limita a levantar uma pedra e a pôr à vista o que está por baixo. Não é minha culpa se de vez em quando me saem monstros."
José Saramago

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Celebra-se hoje o aniversário do nascimento de Pessoa e eu sou invadida pelos seus versos, pelas suas palavras, pelos seus pensamentos. Adoro este poeta. Acho incrível como as suas palavras são tão verdadeiras, tão atuais, tão maravilhosas. Acho incrível que ele tenha conseguido viver a multiplicidade de eus que todos nós temos e que tentamos esconder a cada segundo das nossas vidas. Se deixássemos sair, de vez em quando, os nossos heterónimos, os nossos deuses e os nossos demónios, seríamos, decerto, um pouco mais loucos, um pouco mais puros, um pouco mais sonho.

 

Assim, celebro o poeta com a sua prosa:

 

"Não sei quem sou, que alma tenho.

Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).

Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me aponta traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho.

Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.

Como o panteísta se sente árvore [?] e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada [?], por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."

 

1915?

Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação. Fernando Pessoa. (Textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1966.

 

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Comer, Orar, Amar

por Ni, em 24.01.11

Terminei há pouco o muito falado (vendido? lido?) livro Comer, Orar, Amar. Tem ideias pouco originais numa estrutura de livro de auto-ajuda, claramente bem classificado,original. Para além do teor acessível, é auto-biográfico e isso, só por si, já soma pontos, porque todos temos interesse em saber um bocadinho da vida dos outros, ainda mais se se trata de uma gaja, mais ou menos com a nossa idade...

 

Enfim, numa altura em que, a avaliar pelos últimos posts, até precisaria uma pouco de fomentar a minha auto-estima, dou comigo a saltar parágrafos inteiros nas páginas finais, ansiosa por terminar, não com a ânsia que aperta o peito e te faz querer chegar ao fim de um livro, mas apenas para começar rapidamente outro. Resumidamente, sendo que nisto dos livros, se se podem resumir algo está errado, uma mulher, trintona, a mãos com uma crise pessoal, familiar e social decide partir mundo fora para "lavar a alma" (comer, orar, amar).

 

Também eu, sem partir, o que implica um esforço muito superior ao da protagonista, travo uma luta diária para comer uma refeição completa, para orar pela saúde de todos cá em casa, para ter um tempinho para amar.

Se acham difícil abandonar tudo e todos, partir sozinha, durante um ano, para países tão pouco interessantes como Itália, Índia e Indonésia, deviam tentar ter filhos, ter uma profissão, ter uma casa e um grande amor para cuidar. Aí, sim, é preciso uma grande livro de auto-ajuda...

 

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Não consigo resistir

por Ni, em 26.09.10

Assisti ao seu nascimento, por acaso, e despertou-me logo a curiosidade este nascimento com direito a cobertura mediática e aquele nome a chamar-me, a pedir-me. Tive de recorrer a toda a minha força para não ir a correr buscá-lo, pegar nele, pô-lo no colo.

 

Uns dias depois, ainda eu não me refizera do nosso primeiro encontro, ouço falar dele na rádio, uma horinha inteira dedicada a si, sessenta minutos a chamar-me, a pedir-me. Tive de recorrer a toda a minha falta de dinheiro tempo, para não ir a correr buscá-lo, pegar nele, pô-lo no colo, acariciá-lo.

 

Hoje bati com os olhos nele, assim por acaso, passando em todos os locais onde ele poderia estar, torcendo para não o encontrar, com o coração desejoso de o encontrar e, posso dizer-vos, ao vivo e a cores, é lindo. Foi impossível resistir-lhe. Ainda lutei dois segundos, o tempo exato de o pegar e o esconder entre as outras coisas para não ter de pensar mais nisso.

 

Há pouco, peguei nele, pu-lo no colo, acariciei-o e li as primeiras páginas. Delicioso! Livro

 

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Saramago

por Ni, em 19.06.10

Detestei o primeiro livro que li da primeira vez (depois disso já o reli 2 vezes e já o estudei-ensinei umas quantas).

 

Pus de lado, decidida a não gostar do autor, a dizer que não gostava do autor, mas, felizmente, uma amiga daquelas amigas que dizem coisas que nós nunca haveremos de esquecer na vida e que haveremos de dizer muitas vezes a outras amigas, disse-me que só se gosta de um autor, ou não, depois de se lerem três obras dele - e toma lá três livros do Saramago que é para veres se gostas ou não...

 

Comecei a ler, pensando a cada página, não hei-de gostar, não hei-de gostar. Na página cinquenta estava rendida. Não parei enquanto não li os três livros, e depois mais três, e depois mais três, e depois mais três. O último que li dele foi Caim.

 

Gosto de Saramago, daquela escrita que me provoca, que me arranha as ideias, que me faz pensar, que me faz discutir. Ah! Que belas discussões eu tive com os meus alunos por causa de Saramago! Quantos o foram ler à procura da audácia que eu li nas suas palavras!

 

Hoje, Saramago junta-se a Eça e a Pessoa.

 

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Livro-gourmet?

por Ni, em 15.03.10

 Comecei ontem A ilha debaixo do mar, da Isabel Allende. Houve uma altura em que lia tudo desta autora, até  ao livro A cidade dos deuses selvagens. Depois, como costuma acontecer quando leio sempre o mesmo autor, fartei-me, achava que os livros não correspondiam àquilo que eu esperava. Agora, e como ando à procura do tal livro-gourmet, deu-me vontade de voltar a experimentar.

 

Peguei no livro e, seguindo a rotina dos provadores, li as primeiras páginas. Foi direitinho para o carrinho das compras. Ontem, embora conseguisse parar de ler, apeteceu-me dizer, várias vezes, "é só mais uma página..."

Será este o meu livro-goumet pós-parto?

 

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 Eu adoro ler. Preciso de ler. 

Contra algumas más-línguas que disseram que, quando tivesse filhos, deixaria de ter tempo para ler, aguentei-me da primeira vez e, agora com dois filhos, pasme-se!, continuo a ler. Como é que eu consigo? É fácil. Ler é como comer. Não se fica sem comer. Pode-se até saltar uma refeição ou comer um pãozinho com manteiga em vez de um bom polvo à lagareiro, mas come-se...

 

Com os livros é a mesma coisa: leio com menos regularidade, coisas mais ligeiras. No entanto, neste momento, é como se andasse, assim, a sopinhas e entradas. Confesso que começo a ficar esfomeada e até já comprei uns livros, supostamente, pratos principais, mas, afinal, são mais uma sopa da pedra.

 

O que eu queria mesmo era um livro-gourmet. Um livro, ou autor, TCHAM! Um livro para ler e dizer "é só mais uma página", "é só mais uma página" e não conseguir parar.

 

...aqui, deste lado da montanha.

 

 

 

 

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Actualidade

por Ni, em 28.01.10

Confesso: estou cheia de vontade de comprar a Visão e ler o que de mal por lá se diz..

 

 

 

Com esperança que também lá haja algum bem, porque não gosto de pessoas que dizem sempre mal de tudo e este senhor, por quem é, não merece que eu não goste dele.

 

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Caim

por Ni, em 19.10.09

 Já ultrapassei plafond do mês para os livros... Mas, QUERO ESTE, please:

 

 

 

 

 "a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana" 

José Saramago

 

E continuo a encontrar quem não compreenda porque aprecio a escrita de Saramago...

 

 

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