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É que eu adoro o dia do Pai!

por Ni, em 19.03.13

Eu sei, eu sei, o dia do pai, e o dia da mãe, e o dia dos avós, e do resto da família tornou-se comercial e todos os dias são bons para dar um beijo ao pai, e à mãe, e à avó, e ao piriquito, mas eu gosto destes dias. Gosto mesmo. 

 

Gosto do dia do pai, porque acordo já a pensar no meu pai, e telefono-lhe, e penso que o amo, e que é mesmo o melhor pai do mundo. Bem, o pai dos meus filhos também vai no bom caminho...

Gosto destes dias, sim, porque gosto de dar alguma coisa às pessoas que amo. Não importa o quê.

O meu pai, por exemplo, sempre deu tanta importância a um postal, como a um livro ou a uma máquina qualquer, que ele nem sabe bem para que serve. 

E agora, confesso, AMO as prendinhas que os meus filhos nos dão nestes dias, feitas por eles, ou pelas educadoras sob a vigilãncia deles {#emotions_dlg.tongue}, que importa? Há tanto prazer em fazer os outros felizes. Ontem, enquanto pedia a opinião da miúda acerca da camisola que eles iam oferecer ao papá, ela respondeu-me "ahhhh... escolhe tu, eu já fiz duas prendas para o papá!"

À medida que o baú das prendinhas dos dias do pai e da mãe vai começando a ficar pequeno demais, o amor vai continuando a ficar maior.

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Eu gosto é do verão

por Ni, em 10.03.13

Falando a sério: fomos passar o fim de semana à serra da Estrela. Uma promessa adiada, e desejada, e desejada. Chegados lá, não se conseguiu ir até à Torre, porque a estrada estava cortada. Assim, fomos ficando, nós e todos os outros que ali eram obrigados a parar, mesmo cá por baixo, já que ali chegáramos... o vento era cortante, aliás só estive fora do carro um minuto, o tempo de o miúdo ver de perto o que era a neve para dizer, com alguma frustação, quando chegou à noite a casa, que esta neve era muito má, porque era gelada! Já a miúda que andou a brincar com o pai, e até conseguiu fazer um boneco de gelo, digo, neve, disse-me, ao deitar, que nós a tínhamos enganado, porque afinal a neve não era fofa.

Enfim, frustrações de lado, apanhámos um belíssimo nevão ao descer da serra e confirma-se a minha teoria de que, quanto mais vejo neve, mais gosto de praia, e de sol, e de calor, e de mar, e de praia, e de calor, e de sol, já disse calor??, ah! pois, e de praia...

 

...aqui, deste lado da montanha (sem neve!).

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Há sete anos atrás, eu estava num apartamento frio e húmido, emprestado temporariamente, numa terra estranha e nova, onde não conhecia nem o caminho para o supermercado, sozinha, enquanto esperava o final dos 30 dias que faltavam para a minha filha nascer. Há sete anos atrás, eu fui sozinha à maternidade, para que a médica me mandasse para casa, pois que era muito cedo e ainda faltava um mês... há sete anos atrás, eu voltei a ir sozinha à maternidade, guiando um carro cujos solavancos e acelerações marcavam as contrações da condutora. Há sete anos atrás, por volta da meia noite, a médica mandou-me o marido para casa e mandou-me dormir pois que ainda era muito cedo e só lá para o final do dia de amanhã ou, quem sabe, depois, porque eu é que parecia a mais apressada...

E poucas horas depois a minha filha nasceu. O pai não chegou a tempo. O pai não estava presente, nem a minha mãe, nem a tia, nem o gato. Foi assim como tinha de ser. Eu e ela. 

 

O nascimento da minha filha marcou uma mudança tão grande na minha vida, que eu costumo dizer que não mudei nada na minha vida, apenas mudei de vida... 

Não sou nada o género de pessoa para dizer que a minha vida é os meus filhos. Não consigo. Então o que é que eu faço aos trinta e um anos que vivi antes deles? Esqueço? Escondo debaixo do tapete? Gosto de pensar que a minha vida é cheia de os meus filhos, e o meu amor, e a minha família, e os meus amigos, e a minha casa, e as minhas coisas, e os meus livros, e o meu trabalho, e os meus alunos. Tanta coisa!! 

 

No entanto, mudei de vida, sim. Por ser mãe, eu não sou diferente. Por ser mãe, eu sou outra.

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Maternal_mente

por Ni, em 03.12.12

Desiludo-me. Os dias têm-se sucedido mais ou menos iguais neste sentimento que se vem apoderando de mim. Não sou uma boa mãe, não sou uma boa mãe, não sou uma boa mãe... Esforço-me imenso para me contentar com as birras dos meus filhos, com as gracinhas dos meus filhos, com a dependência dos meus filhos, com a autonomia dos meus filhos. Mas não consigo. E sinto remorsos e tristeza, porque no meu esforço para que tudo nos meus filhos me seja suficiente cada vez entendo melhor que isso nunca me é suficiente. Quero sempre mais, quero sempre o que está para lá dos meus filhos, ainda que sempre, sempre, com os meus filhos. É como se tivesse a certeza que aquilo que eu sou para lá do que se resume a ser mãe é muito mais e melhor do que ser apenas mãe. E isso, que eu sou para lá do que se resume a ser mãe faz de mim muito melhor mãe.

 

Desiludo-me. Todos os dias. Invejo as mães descomprometidas, sem dúvidas, sem receios, incondicionais, a toda a hora, a toda a hora. 

 

E, no entanto, quem poderá dizer que eu amo menos os meus filhos por viver fragmentada, tentando encontrar-me no quotidiano como mãe?

 

... aqui, deste lado da montanha.

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Ao sabor das palavras

por Ni, em 24.11.12

"Mãe, quando uma pessoa está triste... o coração fica molhado?"

 

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O outro lado da verdade

por Ni, em 17.07.12

Fui à praia com os meus filhos. A primeira vez este ano... Agradecidos, não pararam de me mimar. És tão querida, mamã! És tão linda, mamã! A tua pele é tão macia, mamã! Parece mesmo que tens um bebé na barriga, mamã! {#emotions_dlg.barf} 

 

A dureza da sinceridade infantil no seu melhor. E andava eu preocupada com a celulite... 

...aqui, deste lado da montanha.

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O outro lado de ser mãe

por Ni, em 28.06.12

Estou triste. Não exclusivamente por mim, mas por uma amiga. Não tenho jeito para as palavras, elas atropelam-se e dizem sempre outra coisa do que quero dizer. Escrever é mais fácil. E não, não me enganei no título. Não quero falar de amizades, nem tristezas, mas, outra vez, desta descoberta constante de ser mãe. 

 

Há o amor desmedido, incomensurável, sempre, inquestionável, inabalável. E, depois, há o outro lado de ser mãe: a culpa.

Ser mãe é ser incapaz de viver para lá dessa sensação de talvez, de dúvida, de incerteza, de culpa. Esta coisa que nos assalta, assombra, a propósito de tudo, desde sempre.

 

Se o meu filho é agitado, bebi café demais durante a gravidez;se tem cólicas, comi laranjas durante a amamentação; se é pequenino, dou-lhe comida a menos; se é gordinho, dou-lhe comida demais; se está constipado, não lhe pus o casaco; se está constipado, não lhe tirei o casaco; se esteve internado com varicela, não tive cuidado; se o médico o medicou mal, eu levei-o ao médico; se tem alergias, dei-lhe ventilan a mais; se tem falta de ar, não lhe dei ventilan suficiente... 

 

Na verdade, são dois lados de um mesmo amor. Quem ama preocupa-se, questiona-se, culpa-se. Por isso, embora uma mãe julgue sempre que a sua culpa é única, ela é, apenas, a maior. Porque há outras culpas, já que há outros amores...

 

Na verdade, fizeste o que estava certo, levaste-o ao médico. Na verdade, não há erro. Na verdade, não há culpa, ou então há uma culpa partilhada: minha, dos avós, dos tios, dos amigos. A culpa do outro lado do amor. E isso não se devia aprender só quando se é mãe, o Aviador ensinou ao Principezinho que, quando cativas alguém, sabes que "te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Eu também sou responsável pelo teu filho.

 

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Escola de mães

por Ni, em 19.06.12

Tudo o que há para saber sobre a genuína espantosa realidade das cousas de ser mãe é a minha descoberta de todos os dias. A minha verdadeira escola são os meus filhos. Dois filhos, duas escolas, infinitas aprendizagens. Teorias, práticas, experiências, confundem-se, dividem-se, anulam-se e multiplicam-se, assentes em alicerces de puro amor.

 

 

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Orgulho

por Ni, em 15.05.12

A imagem da deputada italiana Licia Ronzulli com o bebé ao colo, que circulou e circula por muitos meios de comunicação, pode até ser um sinal da luta pela melhoria das condições das mulheres que são, simultaneamente, mães e trabalhadoras. Quanto a mim, nada me angustia mais.

 

Não é a imagem, entenda-se, mas rever-me nela. 

 

Já se sabe que os professores não fazem nada e têm três meses de férias, pelo menos!, mas, para lá disso, dia sim, dia não, deparo-me com esta triste missão de ter de levar os meus filhos para as reuniões, sempre em horário pós-laboral. Dois filhos que não se contentam nunca em ficar a dormir ao meu colo, mas que precisam de atenção, de falar, de desenhar, de brincar, de comer, de fazer qualquer coisa. É sem orgulho nenhum que os levo comigo, num esforço que se divide entre ser mãe e professora.

 

...aqui, deste lado da montanha.

 

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Os filhos das outras

por Ni, em 11.05.12

Julgo que todas as mães, até mesmo aquelas que, como eu, acreditam que a educação é um processo cheio de avanços e recuos  e com tantas aprendizagens para os filhos como para os pais, até mesmo essas mães que, como eu, não têm certezas e hesitam, até mesmo essas mães, tal como eu, um dia pensaram que os seus filhos não iriam gritar, nem fazer birras em público, nem diriam em casa dos amigos que não gostam da comida, pensaram que os filhos não iriam põr os pés em cima das cadeiras, nem iriam ter os brinquedos desarrumados, nem, no limite, estragar documentos importantes na casa dos outros... Enfim, tal como diz uma amiga minha, que nunca vem ver o meu blog, os filhos dos outros parecem sempre piores do que os nossos. Concordo com ela.

 

Às vezes há dois miúdos a brigar, mas se calha um deles ser o nosso filho, não há dúvidaque o outro é o bruto, mal-educado que levou o nosso a defender-se... 

 

A propósito, exclusivamente, dos meus filhos:

 

Toda a gente sabe que os filhos são ternos
Que são espertos a valer
Até mesmo sem querer
Não riscam cadernos, não riscam cadernos


Toda a gente sabe que os filhos são ternos

Toda a gente sabe que os filhos são lindos
Deixam os pais conversar
E com os amigos falar
E sempre sorrindo, e sempre sorrindo
Toda a gente sabe que os filhos são lindos

 

Mas os filhos das outras não,
Porque os filhos das outras são

O exemplo da má-criação

Um erro de educação
Cruéis criaturas
De outra espécie feroz
Que servem para fazer maldades
Até aos próprios avós
Tudo o que os filhos são
(Tudo o que os filhos são)
Os filhos das outras não

 

 

Toda a gente sabe que os  filhos são tudo
Gostam de músicas que estão na moda
Nunca comem sem o talher
Um super-miúdo, um super-miúdo
Toda a gente sabe que os filhos são tudo

 

Toda a gente sabe que os filhos são elegantes
Que comem muitos legumes
E nunca deixam a sopinha
Na na na na na, na na na na na
Toda a gente sabe que os filhos são elegantes

 

Mas os filhos das outras não,
Porque os filhos das outras são

O exemplo da má-criação

Um erro de educação

 Cruéis criaturas
De outra espécie feroz
Que servem para fazer maldades
Até aos próprios avós
Tudo o que os filhos são
(Tudo o que os filhos são)
Os filhos das outras não

 

...aqui, deste lado da montanha.

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