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Às vezes, só às vezes, muito de vez em quando, em horas mais ou menos iguais às de hoje, parece-me que me falta qualquer coisa nesta coisa de ser mãe, parece-me, até, que não vou aguentar, que as lágrimas vão rebentar, que vou gritar de desespero... Depois, os minutos vão passando e o choro dele torna-se saudades, os pedidos de colo são a minha ausência, as birrices para comer são apenas sono, as palavras bruscas dela tornam-se saudades, os pedidos de brincadeira são a minha ausência, as parvoíces são apenas chamadas de atenção. Depois, os minutos vão passando e parece-me que me falta qualquer coisa nesta coisa de ser mãe, parece-me, ainda mais, que não vou aguentar, que as lágrimas vão rebentar, que vou gritar de culpada...
Sou só eu, ou ser mãe é, também, este estado de culpa por não ter tempo, não ter tempo, não ter tempo? Os dias a passar, os jantares por fazer, os relatórios avaliativos por escrever, a roupa por passar, as fotos por imprimir, as prendas por comprar, a casa por arrumar, o homem por mimar, os miúdos por acarinhar e não, nunca, ter tempo...
Querido Pai Natal, este ano acho que me portei mais ou menos bem, por isso, gostaria de te pedir umas horas para fazer o que me apetecer. Isso ou faz-me ganhar o euromilhões para arranjar uma empregada!
PS: É bom que te esforces, Pai Natal, ou terei que começar a portar-me mal...
...aqui, deste lado da montanha.