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De peito cheio

por Ni, em 25.01.10

 

Uma das coisas que mais me surpreendeu, quando tive a minha princesa, foi o facto da amamentação não ser o processo natural e instintivo que eu sempre imaginara. Afinal, amamentar não era aquele acto simples e fácil que eu sempre vira nos animais lá em casa. É claro que, na altura, havia a desculpa da Pompinhas ter nascido antes do tempo e, por isso, não saber mamar. Todas as vezes eram uma primeira vez, uma aprendizagem, para ela... e para mim.

 

Se nessa primeira experiência de maternidade, e amamentação, passei por tudo aquilo que é doloroso (mamilos doridos, gretados, peitos ingurgitados, até chegar à mastite), desta vez achei que a experiência me haveria de valer. 

E tem valido.

Mas, na realidade, a amamentação não é isenta de dor. Por mais esforços que façamos, acabamos sempre por, num dia ou outro, termos o peito dorido, os mamilos gretados, o peito cheio.

 

E a primeira semana de amamentação é dor e sofrimento. Quem quiser vencer as dores destas primeiras mamadas tem de imaginar o que será levantar-se todas as noites para preparar os biberões, lavar e desinfectá-los, os custos monetários,... enfim, pensar em tudo o que é negativo na amamentação artificial.

 

E, principalmente, tem que se imaginar aquele sorriso mágico que, por volta dos dois meses, o nosso bebé nos dá, enquanto estamos a amamentar e que nos deixa com o peito cheio... de uma alegria indescritível.

 

É como se fôssemos explodir. Meu Deus, o que é isto? É só a serotonina a fazer efeito? Ou será amor, amor, amor?

 

 

PS: Embora considere a amamentação algo muito, muito positivo, deixo aqui as palavras de uma enfermeira da maternidade que muito me ajudaram, quando estava mais desesperada:

"Tive três filhos e não amamentei nenhum. Ai de quem se atreva a dizer que amo menos os meus filhos por isso!!"

A amamentação não traz o amor. O amor é que pode trazer a amamentação...

 

...aqui, deste lado da montanha.

 

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Parto

por Ni, em 17.11.09

 Não sei como os piores dias da vida de alguém podem resultar num momento de felicidade tão grande como o nascimento de um filho, mas foi isso que aconteceu comigo. No dia em que tive um momento para respirar, e escrever o meu último post, o Rafael achou que era hora de nascer, porque adivinhava as melhoras da irmã.

 

Foi talvez o parto mais inesperado de todas as possibilidades que ao longo destes nove meses imaginei. A angústia que me atormentou durante os dias que estive internada com a minha princesa foi dando lugar a um sentimento de esperança, por vê-la a recuperar, e ao mesmo tempo a uma espécie de descontracção que antecedeu o nascimento do Rafael.

 

Depois de almoço, o Bi disse-me que vinha a casa buscar roupa (uma vez que graças à gentileza da equipa de Pediatria, estávamos os dois a acompanhar a Pompinhas, prevendo já o nascimento do Rafael a qualquer momento) e eu achei que era melhor ele não vir porque não me estava a sentir muito bem: indisposta e com umas dores, como tinha sentido já anteriormente - podiam ser ou não mais um falso alarme.

Às seis da tarde começaram a intensificar-se as contracções e eu deitei-me, tal como me mandara fazer o obstrecta, para saber se elas passavam. Não passavam. Continuavam a aumentar. Às sete horas a copeira foi ao quarto levar-me a senha para jantar e como me viu assim, disse-me que talvez fosse melhor subir ao piso da Obstetrícia para ser observada, mas, como estava com receio de que fosse falso alarme, disse apenas ao Bi que me estava a sentir com mais contracções e fui jantar. Confesso que as dores se intensificaram de tal modo que apenas comi um prato de sopa. 

Depois lavei-me, arranjei as coisas que tinha no hospital, separei as roupas e os sacos e fui perguntar como se ia da Pediatria para a obstetrícia. Mais uma vez, a enfermeira foi genial e mandou a copeira comigo. Esta senhora, de quem não sei o nome, veio comigo às urgências fazer a ficha, levou-me lá acima, recomendou-me à enfermeira e esperou por mim, até saber o que ia acontecer. Quando entrei, não havia nenhum médico de serviço, mas, por sorte, estava lá a enfermeira Ana, que era quem estava lá na sexta-feira passada e quem tinha feito o parto da Sofia Miguel. Ela disse-me logo que estava destinada a ser ela a fazer também este parto porque ia ficar a fazer noite e eu já tinha 3 dedos de dilatação. Depois perguntou-me se eu queria ficar já numa cama ou se preferia vir até à Pediatria e aguardar que chegasse algum médico. É claro que eu quis ir dar um beijinho na Sofia Miguel e contar ao meu amor que o Rafael ia nascer. Eram nove horas quando a enfermeira me observou e até às nove e meia estivemos os três deitados de mãos dadas a tentar que a Sofia adormecesse para o Bi poder ir ter comigo.

Como as dores se foram intensificando, fui subindo e liguei apenas à Di a contar-lhe o que se passava. Às dez horas  e quinze minutos, finalmente, apareceu uma médica que me viu e que, por insistência da enfermeira Ana, lá me fez um toque e viu que já estava com 4 dedos de dilatação. A enfermeira deu-me um clister, mas, quando fui à casa de banho apenas senti uma água a escorrer e as dores a intensificarem-se e não consegui fazer mais nada. A enfermeira levou-me para um quarto de dilatação e disse que já dava para me dar a epidural, e neste momento entra a médica e diz que me faltavam umas análises para a epidural... Eu, nesse momento, pensei que tudo ia correr mal. A enfermeira pediu as análises, com urgência, e achou que era melhor ver se o Bi já tinha chegado para me fazer umas massagens. 

As contracções eram cada vez menos espaçadas e mais dolorosas e, de repente, entrou a enfermeira Ana e eu disse-lhe que elas eram cada vez mais próximas e ela disse que já tinha metido uma cunha para as análises serem mais rápidas e depois olhou para mim e perguntou se eu tinha vontade de fazer força, disse-me "tenho de a ver", "já não vai dar para fazer a epidural", "tenha calma que o momento expulsivo não custa"... E eu só pensava que ia tudo correr mal, porque estava com tantas dores.

Fui para a sala de partos a andar para ver se o meu bebé descia um pouco mais e quando me deitei comecei logo a fazer força. O Bi segurou-me na mão e dava-me força para eu continuar. A certa altura a enfermeira disse-me para parar e, quando eu olhei para a auxiliar que estava ao meu lado, senti que alguma coisa não estava bem. A enfermeira Ana mandou-me fazer força uma última vez e disse "pronto, já cá está", mas eu só via a auxiliar a esfregar uns pézinhos todos roxos e a dizer "vá, bebé, vá!". Nem mo mostraram. Levaram-no logo para trás de mim. Procurei os olhos o Bi que não parava de olhar para trás de mim enquanto me dizia que eu tinha conseguido. Eu perguntei-lhe se estava tudo bem e ele disse-me que sim, mas eu sentia que não. Perguntei se ele tinha visto o bebé a respirar e ele suspirou forte e disse que sim, mas eu sei, agora, que só neste momento ele tinha visto o peito dele a encher-se de oxigénio, com a ajuda do pediatra. O meu pequenino nasceu com uma circular toráxica e, talvez por isso, só chorou (respirou) mais tarde e não assim que nasceu.

Entretanto o pediatra, que por coincidência era o pediatra da Sofia, disse que estava tudo bem e, na primeira consulta do Rafael até explicou que a situação é mais frequente do que pensamos e pouco preocupante, mas que foram (mais) uns momentos de angústia, lá isso foram...

É claro que, hoje, em casa, com os meus dois filhotes e o meu amor, todo este sofrimento parece longínquo, mas as recordações destes dias que antecederam o parto e os momentos do parto foram sofridos. Agora só quero estar com os meus amores e chorar estas horas, porque ainda não tive tempo para chorar. Quando as lágrimas levarem estas tristezas, sei que só haverá lugar para a imensa felicidade que sinto.

 

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Internamento pneumonia

por Ni, em 04.11.09

 Tudo pode acontecer durante uma gravidez que se esperava mais ou menos tranquila. Assim, dou por mim internada às 39 semanas e meia, com a minha princesa que tem uma pneumonia. 

Depois do susto dos quarenta de febre, do sangue na expectoração e da oxigenação insuficiente, bem como da angústia de a qualquer momento o Rafael nascer e eu ter de deixar a minha Pompinhas, finalmente, uns momentos de calma, porque ela parece estar a melhorar...

Conta-se com o amorzão papá, com a simpatia da equipa de pediatria que tem sido super-simpática e com o apoio dos que gostam de nós...

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Gravidamente XXV

por Ni, em 01.11.09

 Na quinta-feira, dia 29, lá fui, eu e a minha barriga, à consulta com a minha GO. Faço um CTG e, às tantas, ela vai lá "visitar-me" e dizer-me que está muito admirada por eu ainda ali andar de barriga.

Depois do CTG (com contracções, sim senhora), ela faz-me o toque e pergunta: "quer ter o bebé hoje ou amanhã?". Espanto-me e ela diz: "tem dois dedos de dilatação e o colo baixo, nasce hoje ou amanhã. "

- Ah é?

- Sim, se estivéssemos num hospital, em três ou quatro horas eu despachava-a. Assim, vá para casa e fique com tudo à mão para ir para maternidade, porque de amanhã não passa...

 

Lá saio eu, telefono ao Bi e ele, claro!, vem a correr para casa e deixa as aulas. Eu vou dizendo que tenho um mau-estar na barriga, uma espécie de pré-dores de período, como aconteceu com a Pompinhas, mas dores fortes, nada! Telefono também à Di, porque ela queria que eu lhe desse notícias, mas, para evitar um segundo falso alarme, disse-lhe que não era preciso vir.

 

À noite aparece a Di com a minha mãe. Não querem perder pitada, mas eu continuo confortavelmente instalada no meu sofá. Se estiver deitada, não se passa nada. Se me levanto, dói-me a barriga.

 

Durmo optimamente, mas no banho sai um muco ensanguentado, e, depois de uma manhã bastante dorida e com bastantes contracções, lá vamos à tarde à maternidade saber se tinha havido evolução. Depois de duas horas de espera , comento com o Bi que estou a sentir-me cada vez melhor e as contracções parecem estar a desaparecer(???).

O médico que está de serviço faz-me mais um toque: "tudo muito atrasado!" (???), mas vou fazer um CTG: nada de contracções (???).

O médico, espectacular, lá me explica tudo com muita paciência. Estou numa fase de pré-parto, em que todo o corpo se está a preparar. As dores são da pressão que a cabeça do Róquinhas faz, o muco é resultado do toque, as contracções são de preparação e uma maneira de as distinguir é deitar-me de lado (se me deito de lado e desaparecem é porque não são AS contracções).

Vá para casa e volte cá daqui a uma semana!

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Gravidamente XXIV

por Ni, em 26.10.09

 Confesso: estou obcecada com o nascimento do Róquinhas. Angustiada, preocupada, ansiosa. Talvez este estado seja normal, chegadas as 38 semanas de gravidez, mas, como da Pompinhas não passei por isto, estou a sentir-me paranóica. Por isso, tomei uma decisão: Não vou querer saber mais nada sobre partos, normais e induzidos e apressados e fáceis e difíceis, e maternidades e hospitais, e pesos e tamanhos dos bebés, e contracções e rolhão mucoso e rompimento das águas... NÃO QUERO SABER! Vou tentar recuperar as minhas teorias de "o meu corpo e o meu bebé é que sabem" e  tentar viver estes últimos dias para lá desta ansiedade.

Nesta caminhada da gravidez, quero chegar a o outro lado da montanha, mas vou ter que voltar atrás. Este não era o caminho certo. A partir de agora, vou procurar um trajecto mais conciliador comigo e com os meus amores.

 

É QUE EU QUERO-TE TANTO

NÃO SABERIA NÃO TE TER

É QUE EU QUERO-TE TANTO

É SEMPRE MAIS DO QUE EU TE SEI DIZER

MIL VEZES MAIS DO QUE EU TE SEI DIZER, MIL VEZES MAIS DO QUE EU TE SEI DIZER

 

Vou ouvir música com o meu bebé! 

 

 

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Últimos (?) passeios

por Ni, em 25.10.09

 Depois do dia de descanso de ontem, em que percebi que, realmente, o Rafael não quer ainda nascer, hoje lá decidi acompanhar o marido e a filhota num passeio. Ainda estive indecisa, mas depois achei que entre ficar em casa sozinha ou sair um pouco para arejar, a segunda hipótese era preferível. E ainda bem. 

Demos umas voltinhas pela Expobike e acabámos a almoçar num restaurante bem agradável no Cartaxo, que escolhemos tendo em conta o parque automóvel (o que, como se imagina, pode ter resultados catastróficos). Percebi que já tinha saudades de comer uma comidinha saborosa (que não fosse em tasquinhas ou restaurantes de  prato do dia...). Claro que agora tenho que lidar com o peso... e, infelizmente, não é só o da consciência... Por outro lado, estou sempre a dizer-me que com estas coisas boas é que o Róquinhas vai querer vir cá para fora.

Continuou a faltar a possibilidade de acompanhar o Bi num bom vinho tinto... Para a próxima!

A Pompinhas portou-se muito bem, o que também contribuiu para esta sensação de final de tarde de Domingo.

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Gravidamente XXIII

por Ni, em 23.10.09

 Falso alarme!

 

Resultado do CTG: contracções, sim senhor, mas nada de parto...

Colo fechado e alto. Vá para casa.

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Gravidamente XXII

por Ni, em 23.10.09

À espera dos dez minutos...

 

Neste momento estou sentada no sofá ( o grande amor da minha barriga) à espera das contracções de dez em dez minutos... 

Estou com contracções, mas sem dores(!) , de vinte em vinte minutos, desde o meio dia. Telefonei à GO que me disse para esperar pelos dez minutos e só depois ir para a maternidade. OK. 

O maridinho já chegou numa corrida e anda aqui à minha volta: então?então? já tens outra? que horas são? vamos embora?... Acho que ele não quer mesmo perder este parto, como lhe aconteceu da Pompinhas, mas, entretanto, já o fui preparando, dizendo-lhe que pode ser um falso alarme, que ainda pode demorar, para ver se ele se acalma.

Acabei de telefonar à Di, para ver se ela pode vir cá ficar com a Princesa. Queria vir já da Escola para cá. Com a colega a quem dá boleia e tudo... Doiditos apressados.

Eu, como acho que aqui em casa é que estou confortável, e como até estou sem dores deixo-me estar mais um pouco...

Ao meio dia telefonei à minha mãe, para saber como temperava as azeitonas (experiência para contar noutro post), e ela disse-me que tinha sonhado que o Rafael nascia hoje. Será??

Estamos todos à tua espera, meu amor.

Às vezes acho que até estas contracções são ansiedade... Agora alternam entre os doze e 25 minutos.

Vou embora. 

 

Desejem-me sorte!

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Gravidamente XXI

por Ni, em 22.10.09

 Mais uma noite de insónia... Acordada das 3 às 6 da manhã...

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Gravidamente XX

por Ni, em 21.10.09

 O Rafael continua a não dar sinais de querer sair, mas todos cá em casa começamos a estar ansiosos pela chegada dele. 

Sinto-me extremamente grávida e só penso que, a acreditar na DPP, ainda faltam 3 semanas...

Não consigo compreender, mas todos os dias de manhã peso mais 200 gramas do que no dia anterior. A continuar assim, até ao dia 7 de Novembro, vou engordar ainda mais uns...  3Kg (???) ...

CÉUS!!!

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