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Maternal_mente orgulhosa

por Ni, em 25.02.15

E, quando chegada a casa, tomados os lanches, acabados os trabalhos de casa, a tua filha vai para o quarto dançar e o teu filho vai para o quarto brincar às histórias com os carrinhos e heróis imaginários, só podes sentir-te imensamente orgulhosa por vê-los crescer sem estarem completamente dependentes da televisão, ou de ecrãs de qualquer tipo que lhes fritam os cérebros e os transformam numa espécie de zombies formatados pelos "Grandes Irmãos".

Nenhum programa de televisão, nenhum jogo informático, por mais educativo que seja, será alguma vez tão bom como a própria imaginação!

Agora, desculpem lá!, vou ali dançar um bocadinho com a miúda e criar uns caminhos secretos na floresta inventada do miúdo...

...aqui, deste lado da montanha.

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Com papas e bolos #3

por Ni, em 24.02.15

Ser mãe é esta angústia duvidosa de chegar a casa, depois do futebol do miúdo, da piscina da miúda e constatar que se, como sempre, os queres deitar à mesma hora saudável, tens meia hora para fazer um jantar. É aí que pensas como é fácil sucumbir às batatas fritas, aos ovos estrelados, e à ausência de legumes que tens para escolher, descascar, preparar.

Depois, pensas outra vez e só te vem à ideia este vídeo . Dás por ti a ver os teus filhos a rebolar ladeira abaixo, quando saíssem ao jardim, ou a boiar de cabeça para baixo na próxima aula de natação,  e lá fazes uns ovos mexidos, numa colher de azeite, com cogumelos, courgette e cebola; cozes um esparguete (10m) e preparas uma cenoura ralada. Eles adoraram! Disse-lhes que era esparguete quase à bolonhesa e eles riram... e eu também!

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Então e o ferrari?

por Ni, em 04.09.13

Chegou ao fim o meu ano auto-imposto sem comprar roupa ou sapatos... Ontem atrevi-me a perder-me por entre lojas e montras, provadores e corredores de centros comerciais. 

Primeiro, devo dizer que levei as duas horas que me ofereci com a sensação estranhíssima de que me faltava qualquer coisa, do género "ainda vais demorar muito, mãe?", "vais ver a loja toda, mãe?" e, no limite, "quero água", "tenho fome", "quero fazer xixi". Ou seja, não sei o que é entrar numa loja sem que me chamem, me interrompam, me levem a correr pela loja fora à procura deles por entre cabides e camisolas...

Segundo, lembrei-me constantemente duma história que li há poucos dias nas redes sociais. É a conversa entre marido e mulher de casamento de vários anos em que a mulher o acusa de beber todos os dias e de, assim, gastar muito dinheiro ao fim do mês e, consequentemente, ao fim do ano. Tanto dinheiro que, ao fim daqueles anos todos de casamento, daria para comprar um Ferrari. E ele pergunta-lhe: "Tu bebes?" E ela: "Não!" E ele pergunta-lhe: "Então, onde está o teu Ferrari?". 

 

Foi assim que me senti ao fim deste ano... Se levei um ano inteiro sem comprar uma pecinha de roupa, uma t-shirtezinha na feira dos trinta que fosse, ou uns chinelos de praia made in loja do chinês, porque é que não estou rica? Porque é que chego a setembro com os mesmíssimos escassos cêntimos que no ano passado me levaram a tomar esta decisão?

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Em nome do Pai

por Ni, em 17.06.13

Sou católica por educação. Educaram-me para ser católica. Fui batizada, fiz a comunhão, a profissão de fé, o crisma e fui catequista.

Durante muitos anos consegui conciliar aquilo que me ensinavam na igreja com aquilo que aprendia na escola. Mas acreditava. Julgava que a fé era uma coisa mesmo muito forte, porque tinha de ser cega, porque era incongruente.

Deixei de ser catequista, quando vi o padre dar uma estalada num dos "meus" meninos a quem dava catequese. Senti aquela palmada em mim e deixei de acreditar em muita coisa, porque até o amor que não se vê tem de se sentir, para se dizer que existe.

 

Casei na igreja. havia tantas hipóteses de o fazer como de não o fazer. Mas, ao contrário do que se possa pensar, tê-lo feito só me fez acreditar um pouco menos na religião em que me educaram. Que padre tem a capacidade de me aconselhar a levar uma vida a dois, a três e, agora, a quatro, quando vive, tão facilmente, sozinho? O que sabe um homem de dedicar a vida ao outro, quando o único outro é um Deus?

 

Batizei os meus filhos na igreja, porque, já aqui o disse, faço muitas coisas por amor. Faço muitas coisas para agradar aos outros e isso não me incomoda. Nada.

 

Há um ano atrás chegou a altura da catequese da miúda. Não fui capaz de lidar com esta dificuldade em fingir que sou católica e que acredito naquilo em que, afinal, já não acredito. Acredito num Deus que é o amor, que é a felicidade, que é o bem. Para lá disso, não sei explicar mais nada, não tenho mais respostas. A miúda não foi para a catequese.

 

Há uns meses começou a pedir-nos que queria ir. Os amiguinhos iam, queria aprender a rezar...

Parei para pensar. No fundo a essência do catolicismo e os seus princípios são bons: um homem que morre por amor aos outros, capaz de perdoar, que espalha amor pelo seu caminho, é uma bela história de amor para ensinar aos meus filhos. 

A miúda vai para a catequese, resolve-se. Livro-me assim de uma série de discussões em vão ( e eu não discuto religião, não vale a pena!).

 

No sábado à tarde, enquanto falávamos na necessidade de começar a ir à missa (ah! pois, temos de voltar à missa...), diz ela:

- Em nome do Pai, do Filho, do... Ó mãe, porque é que é em nome do pai, do filho e não é em nome do pai, da mãe e do filho?

Eu: 

- Porque antigamente os homens eram uns machistas e não consideravam as mulheres para nada.

O meu marido, chocado: "Não, filha, é porque pai era Deus e...

Eu, outra vez, a tentar suavizar as palavras:

- Só os homens é que sabiam ler e escrever, as mulheres não importavam muito e... por isso, só os homens é que discutiam as coisas e eram padres... nem há padres, não é?! 

Desisto. Calo-me.

O homem da casa está chocado demais. Não está preparado para isto. Não estamos preparados para isto. Calamo-nos.

Ela, por fim:

- Isso quer dizer que nunca vou poder ser padra, não é? 

 

Pois, isto vai ser um processo difíííícil!!!

 

...aqui, deste lado da montanha.

 

 

 

 

 

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As dores dos filhos

por Ni, em 18.05.13

Doem demais as dores dos nossos filhos. Senso comum, bem sei, mas não se apaziguam as dores com o hábito ou o tempo. 

 

Hoje era dia de frenectomia (cortar o freio do lábio superior), para ver se os dentes da miúda ainda se conseguem aproximar o suficiente para não ter de vir a usar aparelhos.

Os procedimentos foram fáceis: mentalização da miúda, preparação da miúda, aliciação da miúda, com os gelados, os amigos que já fizeram e com o tão gira que ela vai ficar!! Enfim, na hora de partir para o dentista, a certeza de haver birra caso não se fizesse a cirugia era certa, tal era a mentalização da miúda. Convencida a filha, era hora de pensar na mãe... Ah! Raios! mais vale nem pensar no assunto. O coração fica tão, tão, pequenino que parece que vamos desaparecer a qualquer momento e não vale dizer que é uma coisa fácil, e são só uns pontinhos e uma intervenção a que os médicos estão habituados... mais vale não pensar no assunto.

 

Sou forte. Sou uma mãe daquelas que não se desmancha. Sou toda eu coragem e vamos lá, que o que tem de ser, tem de ser e na hora de os segurar para dar pontos ou espetar agulhas e dar antibióticos endovenosos de quarenta minutos(a pior experiência com a minha filha) quero ser eu a estar lá com eles... chamem-me louca, sei lá... sou a mãe má que os obriga a sofrer, mas também sou eu que estou lá para dar o meu colinho e colinho de mãe cura tudo.

 

Assim, hoje assisti a tudo: cortar, tirar, jogar fora o que estava a mais, suturar. E foi fácil. Viva a anestesia!

Pior foi uma horita depois. Choro, lágrimas, lágrimas, choro. Agora está a analgésicos, gelados, e colo, muito colo, e ainda bem, porque as dores deles doem-me a dobrar.

 

...aqui, deste lado da montanha. 

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manhãs de domingo

por Ni, em 28.04.13

Aborrece-me estar sozinha. Adoro estar a sós comigo e, no entanto, aborrece-me estar sozinha. Tanta hora sozinha. Tanta hora é tempo demais a pensar! 

 

Estou com os meus filhos, mas é como se estivesse sozinha. Ao contrário do que se diz (odeio frases feitas!), estar com os meus filhos é estar sozinha, porque são meus filhos, e isso chega, não são meus amigos, colegas, conhecidos. É estar sozinha, sem a possibilidade de estar a sós comigo, porque eles não deixam (não se calam, os meus filhos) e porque eu não posso (mãe, quero comer! mãe, quero vestir as calças! mãe, quero fazer um desenho! mãe, não quero comer mais! mãe, não quero estas calças! mãe, não sei dos meus lápis de cor!...). 

 

Preciso de férias dos meus filhos. Preciso do meu fim de semana a dois, e não a quatro, nem a seis, sete ou oito. Preciso de namorar! E preciso de viajar. Preciso tanto de viajar... sem os meus filhos.

 

 

...aqui, deste lado da montanha.

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de partida

por Ni, em 20.04.13

Estamos de partida, cá por casa. Não vamos à praia, não vamos ao parque, não vamos andar de bicicleta, não vamos visitar os avós e os tios, amigos e conhecidos. Vamos ao Todos por um. Realmente, já há algum tempo que andava para me inscrever como dadora de medula e , desta vez, não consegui mais fugir a este apelo. O meu coração está cheio de esperança. 

 

Para além disso, gostava de conseguir comprar estas coisas lindas que o outro lado do crochet faz. {#emotions_dlg.sarcastic}

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sorte de mãe

por Ni, em 14.04.13

Uma coisa que aprendi com estes (poucos!) anos de mãe é que se aprende muito a ouvir as outras mães. Ouvir daqui, ouvir dali, misturar tudo, analisar resultados comprovados e , por fim, a regra de ouro, decidir sempre com o coração. Só esta regra te permite continuar quando, por vezes, muitas vezes, te vês estatelada no chão, a arrepelar cabelos, a pensar que cometeste o maior erro da tua vida, porque é sempre o maior...

 

Uma colega que não vem mesmo ler o meu blog, a não ser que talvez, por acaso,  perguntou-me no outro dia como é que fiz para os miúdos deixarem as fraldas. E, dizem, tive muita sorte. A miúda demorou um mês, bastante molhado; o miúdo, talvez uns três, escassamente molhados.

 

Os primeiros xixis da miúda foram na praia, ali mesmo a ver o que acontecia, quando se tirava aquele monte de papel, empecilho, calorento. Ela gostou e, quando eu dei conta, já não queria fraldas, mas continuava a precisar delas... Munam-se de esfregona, roupa de substituição e muita, muita paciência. Uma semana depois, tirei-lha a fralda à noite. Poucos líquidos à noite, xixi antes de dormir, xixi à meia-noite (a dormir) e muitos lençóis à mão para trocar a meio da noite e, claro!, paciência!

 

Com o rapaz foi mais demorado, mas foi ele que pediu para fazer sem fralda. Primeiro, como a mana, depois, como os homens. Levou mais tempo, porque como ele era novinho hesitei entre tirar ou não as fraldas. À noite, as coisas só funcionaram quando comecei a sentá-lo na sanita para fazer o xixi. Acho que em pé ele ficava menos descontraído.

Ah! sanita, pois, porque para eles o "bacio" ou "pote" é mais ou menos um objeto estranho... O miúdo até acha que é um brinquedo qualquer... Imitação é outra das regras com crianças que fui adotando. Eles são melhores a imitar-nos.

 

Dizem que tive sorte. E tive. Sorte e muitas noites mal dormidas, muitas roupas trocadas, às vezes, quase sempre, nas piores alturas, alguns banhos a meio da noite, alguma vontade de desistir e pôr-lhes uma fralda e miuuuto mau-humor... e sorte.

 

...aqui, deste lado da montanha.

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O hábito faz o filho

por Ni, em 28.03.13

Com o passar dos dias, há ideias que se vão tornando regras, opiniões que passam a leis: podes andar um mês a tentar criar um hábito nos teus filhos, mas basta que o quebres uma vez para que eles o esqueçam {#emotions_dlg.sidemouth}.

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tempos sem tempo

por Ni, em 21.03.13

Sabes que chegaste ao limite do tempo a que podes roubar tempo, quando a tua filha, "atirada" para um ATL, onde até se diverte bastante, diz ela, tem a seguinte conversa:

- Mas tu não vais estar de férias, mamã?

- Não. tenho muito trabalho, filha, mais até do que o costume...

- E tu, papá?

- Também não...

- Para que é que serve estar de férias, se ninguém fica em casa comigo?! Mais valia estar doente...{#emotions_dlg.cry}

 

...aqui, deste lado da montanha.

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