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Também tenho os meus óscares

por Ni, em 23.02.15

Não, não vejo os óscares. Admiro que tem tempo, paixão?, para ver os óscares e ser o primeirinho a saber tudo sobre o melhor da incrível arte do cinema. Eu não vejo os óscares. Mas revejo os óscares. Pelas palavras dos outros. 

Adoro andar a saltitar de blog em blog à procura das opiniões que se dividem, se cruzam, se repetem. Os mais bem vestidos, os mais merecidos, os melhores discursos, os piores, as gafes... Adoro!

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Os Óscares dos livros (parte 1)

por Ni, em 25.02.13

 Já não vou ao cinema. Adoro cinema e, por isso, já não vou ao cinema. Nenhum filme visto em casa, sujeito a todo o tipo de interrupções, a todo o tipo de ausência de estar sozinha se pode alguma vez comparar ao cinema. Já não vou ao cinema, porque é caro e porque não tenho com quem deixar os meus filhos. Obviamente, há todo uma questão de prioridades que me fazem faltar o tempo e o dinheiro para ir ao cinema, mas, ainda assim, acredito que a minha lista de prioridades está bem organizada, quando digo já não vou ao cinema.


Leio. E os meus óscares da leitura vão para...


 


Melhor Personagem Masculina Principal


 antónio jorge da silva


porque esta personagem tão lúcida e crua de oitenta e quatro anos me conquistou e me levou a ver um mundo que nunca aparece nos livros, o dos velhos.


 


"(...) mas eu não queria passar o tempo, queria mais é que ele não passasse, que importa a um homem de cem anos que o tempo passe. a mim importa-me é que não teime passar, que fique quieto, o estupor do tempo. e que me deixe ir dar as minhas voltas e ver as coisas ainda comprometidas com a vida, que aqui já só se vê aquilo que tem compromisso com a morte."


a máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mãe


 


Melhor Personagem Feminina Principal


Adelaide.


"O livro estava mexido. Alguém o tinha aberto numa página, número 224, e feito pequenos círculos a lápis, à volta das seguintes palavras: gosto, de, ti. Três palavras distribuídas pela página com círculos à volta. Olhou em redor e, ao longe, entre pessoas distraídas, viu o leitor de livros da biblioteca a fixá-la. Desviou o olhar, guardou o livro na mala saiu. De repente, estava na rua. levava pensamentos a ganharem volume, como nuvens."


Livro, José Luís Peixoto.




Melhor Argumento Original


Os homens que odeiam as mulheres, Stieg Larsson


É um daqueles livros de verão, de praia, mesmo, para ler, ler, ler sem pensar muito, com muita, muita história a acontecer.


"Vinte anos, pensou. Era o tempo que aquilo já durava. E, no que lhe dizia respeito, podiam continuar a dormir juntos por mais duas décadas, pelo menos. Nunca tinham verdadeiramente tentado esconder a relação entre os dois, memsmo quando isso levava a situações embaraçosas no contacto com terceiros.


Mikael tivera, desde o início, a certeza de que aquele não era o tipo de amor antiquado que leva a uma casa partilhada, uma hipoteca partilhada, árvores de Natal e filhos. Durante os anos oitenta, quando nenhum dos dois estava ligado a outros compromissos costumavam falar de alugar um apartamento. Ele teria gostado, mas Erika recusava sempre no último instante. Não ioa resultar, dizia, arriscavam-se a perder tudo o que tinham se se apaixonassem. Mikael perguntava muitas vezes a si mesmo se seria possível sentir-se mais sexualmente atraído por qualquer outra mulher. O facto era que funcionavam muito bem juntos, e tinham uma relação tão viciante como a heroína.


Por vezes estavam tanto tempo um com o outro que era quase como se fossem um verdadeiro casal; outras, chegavam a passar semanas, ou meses, sem se verem. Mas, tal como os alcoólicos são atraídos para o balcão do bar depois de um período de abstinência, acabavam sempre por voltar.


(...) Mikael não tinha grande opinião a respeito de Greger, e nunca compreendera o amor de Erika por aquele marido complacente. Mas sentia-se feliz por ele admitir que ela podia amar dois homens ao mesmo tempo."


 


Melhor Livro de Animação (leia-se Infantil)


A minha mãe é a melhor do mundo, Maria João Lopo de Carvalho


( sou muito crítica em ralação aos livros infantis. Todas as noites leio uma história aos meus filhos, e tenho um trabalho árduo para escolher bons livros (ou são imbecis, ou sem sentido, ou difíceis, ou, pior de tudo, têm erros {#emotions_dlg.barf}). Agora que a filhota começou a aprender a ler, tenho de ter um cuidado redobrado, porque ela já vai espreitando, lendo e fazendo perguntas, já não dá para inventar palavras, sem correr o risco de ela perguntar onde é que eu estou a ler...)


 


Melhor Documentário


Agora, uma história de amores próprios, Pedro Boucherie Mendes


Embora o livro apareça classisficado como romance, as personagens são tão verosímeis ( tenho a impressão que me cruzei com o Vasco no fim-de-semana) que me apetece que seja um documentário.


"Porque é disto que se trata, de cultivar uma certa bipolaridade engenhosa, uma imprevisibilidade enervante, um retrato tão desfocado quanto possível. A ambiguidade na comunicação é de uma utilidade que nem se imagina e tem a vantagem de não precisarmos de fazer rigorosamente nada, a não ser deixá-la escorrer para que inunde tudo à sua volta."


 


Melhor Livro


A Máquina de Fazer Espanhóis, de Valter Hugo Mãe


porque sim, já se adivinhava, todas as apostas iam, aliás, neste sentido ou não fosse este livro o sustento diante do sol.



Melhor Escritor
Valter Hugo Mãe


Pressinto, triste, que não vai ser para a vida toda, esta minha recente paixão, mas enquanto houver a chama da novidade, deixemos o fogo arder. Gosto da sua escrita, gosto das suas personagens, gosto das suas "histórias" e, principalmente, gosto da mistura que cria com as palavras. Pode ser que, no fim, sobre o amor.


 

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