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manhãs de domingo

por Ni, em 28.04.13

Aborrece-me estar sozinha. Adoro estar a sós comigo e, no entanto, aborrece-me estar sozinha. Tanta hora sozinha. Tanta hora é tempo demais a pensar! 

 

Estou com os meus filhos, mas é como se estivesse sozinha. Ao contrário do que se diz (odeio frases feitas!), estar com os meus filhos é estar sozinha, porque são meus filhos, e isso chega, não são meus amigos, colegas, conhecidos. É estar sozinha, sem a possibilidade de estar a sós comigo, porque eles não deixam (não se calam, os meus filhos) e porque eu não posso (mãe, quero comer! mãe, quero vestir as calças! mãe, quero fazer um desenho! mãe, não quero comer mais! mãe, não quero estas calças! mãe, não sei dos meus lápis de cor!...). 

 

Preciso de férias dos meus filhos. Preciso do meu fim de semana a dois, e não a quatro, nem a seis, sete ou oito. Preciso de namorar! E preciso de viajar. Preciso tanto de viajar... sem os meus filhos.

 

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Fechada entre páginas

por Ni, em 23.04.13

De alma partida. A vontade de escrever de paixões, de vidas paralelas que se cruzam com a minha, de personagens que nos entram em casa e fazem parte de nós, de escrever das folhas que nos correm por entre os dedos até ficarem gastas e sumirem, das palavras que se nos colam à pele e, às vezes, nos atormentam, para, às vezes, nos libertarem. Vontade de escrever de livros.

 

E no mesmo dia mundial do livro, o abismo que  milhares de professores enfrentam. Colegas, amigos, familiares à espera de não caírem, a ver os dias de hoje como os dias bons de antigamente.

 

De alma partida, refugio-me nos livros. 

 

...aqui, deste lado da montanha.

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O dia em que eu vi o Big Brother

por Ni, em 22.04.13

Não, não estão enganados, este é mesmo o outro lado da montanha, e eu vi, quase, quase, até ao fim o 1º episódio do Big Brother. Aliás o meu 1º episódio de Big Brother de sempre... 

 

Os meus dois, vá lá três, leitores conhecem bem o meu lado autista, mas eu ando a esforçar-me para ser igual aos outros.

O homem da casa passa o tempo a dizer-me não podes ser assim, ninguém pode ser assim...  e só porque eu não gosto de frases feitas, não gosto de conversa de circunstãncia, não gosto de falar só para não estar calada, e falta-me aquele bocadinho de cinismo que permite que as pessoas digam uma coisa e pensem outra. Enfim, sou antipática. 

 

Mas toda a gente quer ser um boadinho melhor, não é? E pus-me a pensar, bem, a Dora Ni passava mesmo a brilhar, a brilhar, se soubesse do que é que toda a gente fala, quando fala por falar. E de que é que toda a gente gosta de falar, quando fala por falar? Novelas. Mau demais! Vida dos famosos. Não conheço ninguém! Big brother. Nunca vi... mas posso ver.

Ontem, claro que não me lembrei coisa nenhuma de Big Brother nenhum. Não exagerem! mas o amor grande lá pôs na TVI, enquanto enrolávamos as meias e fui vendo.

 

Conclusões rápidas: 2 ou 3 pessoas das revistas cor-de-rosa; 2 ou 3 desconhecidos; 2 ou 3 recuperados dos mortos; a Teresa Guilherme debruçada vezes demais sobre a mesa; uma brasileira a quem vi uma mamoca (nada de especial para quem viu a Gabriela com a Juliana Paes);um rapaz com um fato cor-de-rosa choque absolutamente, absolutamente qualquer coisa... e o mano Guedes. 

É! Sou capaz de ter para aí conversa para uns dois ou três... segundos...

 

...aqui, deste lado da montanha.

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de água na boca

por Ni, em 21.04.13

A pensar nestas comidinhas boas lembrei-me da minha avó, e dos almoços tardios em casa dela, quando regressávamos da feira e ela cozia o pão no forno e comíamos broa quentinha na cozinha do forno (mais velha e escura), com carapau salgado assado nas brasas, que  sobravam do pão e café de cafeteira do lume, que é coisa que já quase não se vê. Ah! Que delícia!

 

 

Foi também aí, tenho a certeza que me viciei em pão. Às vezes digo por graça que se tivesse de escolher um alimento para levar para uma ilha deserta, e tendo em conta que fruta haveria por lá, optaria certamente pelo pão; se fossem dois, pão com manteiga!

 

 

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Lisboa em Caldas

por Ni, em 21.04.13

Gosto de comer. Sou, portanto, aquilo que se chama um bom garfo e, por isso, gosto de tudo. Jaquinzinhos fritos ou camarão grelhado, sarrabulho da Gândara ou xarém do Algarve, migas do Alentejo ou tripas do Porto, gosto de tudo. Só de pensar, já sinto água na boca.

Houve um tempo em que nos deliciámos a conhecer restaurantes, a organizar jantares gourmets, ou meetings temáticos. E esses dias eram bons e felizes. Depois, toda a gente resolveu fazer dieta e a crise ditou que fôssemos menos a restaurantes, e os dias passaram a ser um bocadinho menos bons e nós um bocadinho menos felizes...

Ontem uma amiga minha, que nunca vem ver o meu blog, convidou-me para jantar... num restaurante que não conhecíamos. Restaurante buffet, com música ao vivo, comer o que quisesse, beber o que quisesse, as vezes que quisesse. Ah! Foi tal e qual um casamento, mas sem a parte má dos casamentos, sem esperas, e sem prenda aos noivos. O restaurante é este. E é para voltar!! Adorei. Obrigada, amiga que nunca vem ver o meu blog!

 

 

Ah!Quanto às dietas, hoje é o pior dia, e amanhã, e depois, e depois... Quem me dera que o meu único peso fosse o da consciência!!!{#emotions_dlg.tongue}

 

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o outro lado do sol

por Ni, em 21.04.13

Os fins-de-semana de sol enchem-nos o coração e os olhos. Lisboa é tão bonita! Adoro esta cidade, ir de passeio, como quem visita, sempre vista pelos olhos da estrangeira, da que vem de fora. A marginal, almoçar em Paço d'Arcos, "esplanar", enquanto os miúdos brincam no parque. Inscrever-me como dadora de medula, finalmente... há tanto tempo que o queria fazer.

Jantar com os amigos, conversas atiradas fora, carinhos que se trocam com os sorrisos. É, faz-me bem estar por cá.

 

...aqui, deste lado da montanha.

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de partida

por Ni, em 20.04.13

Estamos de partida, cá por casa. Não vamos à praia, não vamos ao parque, não vamos andar de bicicleta, não vamos visitar os avós e os tios, amigos e conhecidos. Vamos ao Todos por um. Realmente, já há algum tempo que andava para me inscrever como dadora de medula e , desta vez, não consegui mais fugir a este apelo. O meu coração está cheio de esperança. 

 

Para além disso, gostava de conseguir comprar estas coisas lindas que o outro lado do crochet faz. {#emotions_dlg.sarcastic}

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100% natural, com borbulhas

por Ni, em 18.04.13

Tenho borbulhas. Acne, bem entendido. desde há mil anos da minha existência que tenho borbulhas. 

Primeiro, que passava com a idade adulta, depois, que passava com o sexo, depois, que passava com os filhos, depois, que passava com a idade... Não passou.

 

Depois de tratamentos, peelings, comprimidos, antibióticos, médicos, não passou. Melhorou um pouco, com a pílula, um pouco, porque nunca desapareceram, apenas andavam mais esquecidas, mas com o abandono da pílula, ditado pelas varizes e dores insuportáveis nas pernas, elas voltaram em força. Mais tratamentos, mais comprimidos, mais antibióticos, mais médicos.

 

Depois, um dia, um médico disse-me, minha querida, as tuas análises (gerais) são excelentes, estás ótima, zero colestrol mau, zero gorduras, zero tudo, ótimas! e para as borbulhas só há três soluções: pílula, que não queres, a isotetrinoína (com diferentes nomes no mercado), a que és alérgica e os antibióticos, que podes fazer apenas durante dois meses, e que não é definitivo (passados dois meses tens de fazer outra vez, páras, recomeças, páras, recomeças...) e que, além disso, te vai destruindo a imunidade. Claramente dito, claramente entendido. Não tenho hipótese de não ter borbulhas. 

 

Agora, estou há cerca de dois anos a tentar ter um convívio mais ou menos ameno com elas, às vezes odeio-as, às vezes, ignoro-as. Trato-as muito mal, mas elas nem por isso me deixam em paz. 

A acne não é uma doença terrível, incurável, ou mortal, mas tem efeitos poderosíssimos na nossa autoestima, no nosso dia-a-dia e, a maior parte das vezes, muitas vezes, os outros não compreendem as implicações de um olhar breve e fugidio para um canto da tua cara enquanto falam contigo ou, pior ainda, não compreendem como o desdém ao dizer "mas tu não tens muitas borbulhas" pode ter um efeito tão profundamente maléfico na forma como vais gerir o teu dia apartir desse momento.

 

Ah! Para que não haja dúvidas, eu não tenho 12 anos, nem 18, ou 20 e poucos, ou 30 e poucos. As minhas borbulhas são bem maduras, a rasar os 40.

...aqui, deste lado da montanha.

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O outro lado de ser mãe

por Ni, em 16.04.13

Nada me desalenta mais do que não ter nada para fazer, do que não haver nada para fazer, face à tristeza, à revolta, à dor imensa de uma mãe. Ainda a propósito da felicidade e de coisas que me entristecem demais, deixo aqui o link para uma iniciativa que está a ser levada a cabo por três blogs, para ajudar o Rodrigo, um menino com leucemia, a cuja mãe foi dito que não havia nada a fazer. Mesmo que o futuro nos venha a mostrar que não há mesmo nada a ser feito, recuso-me a não fazer nada. Os blogs são estes e está tudo lá muito bem explicadinho.

cocó na fralda;

ceci n'est pas un blog;

às nove no meu blog

 

Se puderem, vão lá espreitar e ajudem.

 

aqui, deste lado da montanha.

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pequenas insignificâncias

por Ni, em 16.04.13

Leio por aí que morrem pessoas. Leio que morrem por aí. Mortos da guerra, mortos da fome, mortos da pobreza, mortos da estrada, mortos dos homens, mortos dos deuses. Leio e entristeço-me e sorrio. Há uma certa alegria nesta certeza de estar viva. Há uma certa alegria na possibilidade de aproveitar pequenos nadas que são tudo aos pés dos mortos das guerras, da fome, da pobreza, da estrada, dos homens e dos deuses que há por aí. 

 

Há, decerto, felicidade. Um esquecimento do que é pequenino e insignificante, aos pés da grandeza dos meus amores. Os olhos dos meus filhos, as mãos do meu homem... Poder voltar para casa. Ter uma casa, para poder voltar. Levar a vida com os olhos no outro lado da montanha, para lá chegar e não chegar só, porque a solidão de que gosto é a de estar a sós comigo e não, nunca, separada dos outros. Levar a vida com a alegria de ainda ter a possibilidade de estar viva.

 

...aqui, deste lado da montanha.

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