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Feira das palavras

por Ni, em 30.11.12

"Quando acordou não abriu os olhos. Deixou-se ficar, imóvel, sentindo a sua própria respiração, buscando-se no seu interior. Percebera que os demónios que se alojam no coração, mesmo enterrados sob a distância e o tempo, não morrem, antes se apropriam da alma dos que julgam tê-los expulsado. 


 


Tateou, de olhos fechados, a mesinha de cabeceira, à procura dos óculos. Não lhe apetecia ver, queria continuar no seu silêncio íntimo, queria esquecer. Sabia que tinha sido um breve olhar, fugaz, ensaiado há mil anos, que desenterrara o seu demónio.


 


Colocou os óculos e, quando finalmente abriu os olhos viu a sua figura refletida no espelho. Os cabelos louros e esguios que se torciam junto ao pescoço, os olhos e os lábios inchados pelas horas de insónia, nada daquilo era já ela (...)"


 


Disse Saramago numa entrevista à Playboy


"Parece haver uma predestinação em tudo aquilo que faço. Há coisas que acontecem e que suscitam outras ideias, portanto é tudo uma questão de estar com atenção ao modo como essas ideias se desenvolvem. Algumas delas não têm saída, mas há outras que encontram seu próprio caminho. Não escrevo livros para contar histórias, só."

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Fernando Pessoa morreu a 30 de novembro de 1935.


Para assinalar a data, o poeta:


 


"Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,


Não há nada mais simples.


Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.


Entre uma e outra todos os dias são meus.


 Poemas Inconjuntos, Fernando Pessoa/Alberto Caeiro




No dia de aniversário da sua morte, por "cólica hepática", associada a cirrose hepática, certamente não por beber demasiada água, apetece-me comentar a nova publicidade ao Licor Beirão, em que se faz um jogo com os heterónimos de Pessoa. Engraçado, como, aliás, a maior parte das publicidades do Licor Beirão. Mas ontem, quando vi este spot, pensei imediatamente "e o licor beirão é feito de absinto??". É que Fernando Pessoa, para mim, combina é com absinto... Então fui procurar o que bebia Pesssoa e os seus outros eus:


 


"Eu, o fumador de cigarros por profissão adequada, 
O indivíduo que fuma ópio, que toma absinto, mas que, enfim, 
Prefere pensar em fumar ópio a fumá-lo 
E acha mais seu olhar para o absinto a beber que bebê-lo..."


Passagem das Horas, Álvaro de Campos


 


"Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada."


Tão cedo passa tudo, Ricardo reis




"Dá-me mais vinho porque a vida é nada",


Há doenças piores que as doenças, Fernando Pessoa




Enfim, não lhe fica mal o Licor Beirão... 

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Livro do mês

por Ni, em 28.11.12

No outro dia dizia eu a uma amiga que a crise não me haveria de fazer desistir de ler (e por ler entenda-se ler e ter o livro, que eu cázinha gosto mesmo é de ser dona das minhas leituras...). 


 


Fiz uma promessa de não comprar NADA para mim este ano e, voilá!, estou a conseguir de uma forma maravilhosa: não imaginam as coisas que temos nos armários e que conseguimos reciclar... 


 


Mas, claro, nada não inclui o meu livro do mês que compro fielmente na primeira oportunidade depois do dia de receber. A crise não me há de fazer desistir de ler!


 


O escolhido deste mês foi 


 


 


Para começo de conversa há "hiperatividade da função intestinal em prejuízo da cerebral, que demonstra a sua inferioridade fisiológica." e "Quem disse que eles abusaram dos dois grandes narcóticos europeus, o álcool e ocristianismo?" e "Os homens nunca praticam o mal tão completa e entusiasticamente como quando o fazem por convicção religiosa.l"


 


Amanhã já conto como foi.

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Livro do mês

por Ni, em 28.11.12

No outro dia dizia eu a uma amiga que a crise não me haveria de fazer desistir de ler (e por ler entenda-se ler e ter o livro, que eu cázinha gosto mesmo é de ser dona das minhas leituras...). 


 


Fiz uma promessa de não comprar NADA para mim este ano e, voilá!, estou a conseguir de uma forma maravilhosa: não imaginam as coisas que temos nos armários e que conseguimos reciclar... 


 


Mas, claro, nada não inclui o meu livro do mês que compro fielmente na primeira oportunidade depois do dia de receber. A crise não me há de fazer desistir de ler!


 


O escolhido deste mês foi 


 


 


Para começo de conversa há "hiperatividade da função intestinal em prejuízo da cerebral, que demonstra a sua inferioridade fisiológica." e "Quem disse que eles abusaram dos dois grandes narcóticos europeus, o álcool e ocristianismo?" e "Os homens nunca praticam o mal tão completa e entusiasticamente como quando o fazem por convicção religiosa.l"


 


Amanhã já conto como foi.

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um blog para palavras

por Ni, em 27.11.12

Surpreendo-me quando, por causa de uma declaração a rasar o desinteressante e, completamente, inapropriada, me obrigo a criar um blog. O livros e outros demónios nasceu desta necessidade de exorcizar as palavras:


 


"Não sei o que isso diz acerca de mim, ou talvez não diga nada, mas prefiro uma  inesperada história de desamores a uma previsível história de amor."




Livro dos Princípios,dsfj


 


 


 

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Tudo.


 


Sou leitora compulsiva. Não sou crítica. Não sou especializada. Sou leitora. Leio tudo com mais ou menos prazer, em mais ou menos tempo.


 


Desde sempre. Talvez seja leitora desde mesmo antes de saber ler.


 


Por uns minutos de leitura, já espreitei por cima do ombro de estranhos, já fui proibida entrar numa biblioteca, já li às escondidas, já li debaixo das mantas, já acordei a meio da noite... Já li em todos os sítios. Já li a todas as horas.


 


Já li em todos os momentos da minha vida. E para cada momento há sempre um ou mais livros. A minha vida podia ser contada em livros.


 


Às vezes, muitas vezes, os livros estão cheios de demónios. Enfeitiçam-me e são capazes de mudar a minha vida. 

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Sem sombra de sol...

por Ni, em 25.11.12

Tinha tantas saudades de escrever no outro lado da montanha, que me apetece vir até cá a toda a hora, a propósito de tudo e de nada. Depois, tenho tanto sobre o que escrever, mesmo que abolutamente fora do timing... 

 

 

Assim, hoje resolvi escrever de sombras. 50, para ser mais precisa. Pessoalmente encontro-lhe muitas mais do que 50, uns milhares de sombras que se enliam em clichés, baratos, baratos, a assemelhar-se a uma versão XL das Bianca e Sabrina que devorei na minha adolescência: rapariga ingénua, pobre e virgem e rapaz vivido, rico e experiente. 

 

Enfim, como uns bons milhares, caí na armadilha da curiosidade, instigada pelo isco do BDSM, e lá fui lendo o 1º da trilogia, incentivada pelo lado erótico-pornográfico da maior parte das páginas... O segundo obriguei-me a ler. Afinal, tinha de haver mais qualquer coisa, que eu não estava a conseguir captar, para justificar o tal sucesso de vendas.

 

Obriguei-me a ler, vejam só...às vezes imponho-me cada castigo!! Resultado: nada, absolutamente nada, para além de uma mísera literatura de cordel. Apenas a lembrança do maravilhoso professor António Branco (sim, porque eu tive muitos professores maravilhosos): "um bom livro não é aquele que vende muito; nunca se soube que se tivesse que anunciar aos sete ventos o número de edições de um Eça, de um Saramago, de um Pessoa!"

 

À parte isto, julgamentos e opiniões que são tão meus que, só por isso, valem aquilo que valem, não julgo ninguém por aquilo que lê, mas apenas pela intensidade com que o faz. 


...aqui, deste lado da montanha.

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Os amantes

por Ni, em 24.11.12

Fugimos do tempo que guia o toque dos teus dedos; corremos atrás dos sítios que são só nossos. Encontramo-nos, quando todos os outros se despedem. E somos amantes. 

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Os posts que não publiquei

por Ni, em 24.11.12

E quando damos por nós, somos já outros diferentes do que costumávamos.

Há um outro lado nas coisas que nos separa, que nos divide e fragmenta.

 

Descobrimos, impotentes, que somos fracos, que não demos as respostas que, mais tarde, ao contar como tudo se passou, dizemos que demos, mas que nos ficam presas na garganta.

 

Porque somos obrigados a olharmo-nos e a vermos: que às vezes não temos razão, que às vezes não dizemos tudo o que queremos, que às vezes não fazemos o que temos vontade, que às vezes nem sempre somos felizes.

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Ao sabor das palavras

por Ni, em 24.11.12

"Mãe, quando uma pessoa está triste... o coração fica molhado?"

 

...aqui, deste lado da montanha.

 

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