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Do código da beleza

por Ni, em 31.12.11

Podia ler-se, no dia de hoje, na Agenda do Lar para 1964:

 

"O melhor método para fazer adelgaçar as coxas grossas é praticar diariamente ginástica, desde que seja bem orientada. Os melhores exercícios são os de contração e distensão dos músculos das pernas."

 

"Se você está abatida, não carregue no «rouge», dê apenas um ligeiro toque. Prefira  o «rouge» líquido ou em pasta. Espalhe-o bem, em pequenas batidas. Quanto ao pó, aplique-o generosamente, sem esfregar, começando pelo centro do rosto, passando um pouco pelas pálpebras. Tire o excesso com uma escovinha macia, de bebé."

 

Deixemos a ginástica para outra ocasião e falemos da maquilhagem. Ninguém nunca me ensinou a maquilhar-me. A minha mãe não era mulher de ir vender nas feiras ou apanhar umas batatas de «rouge» na cara e, na família, não me lembro de alguém alguma vez me ter dito tens de passar o lápis assim ou as sombras assado. Maquilhar-me com profissionais, só o fiz duas vezes: no meu casamento e no da minha irmã. Por isso, confesso, não sei bem como aprendi, mas como eu costumo dizer a propósito das muitas coisas que sei e que, provavelmente, não deveria saber, sei porque leio. Quem lê, sabe sempre alguma coisa sobre qualquer coisa.

 

Li, no outro dia, num blog (já não me lembro qual), que a revista activa e a chanel tinham este  vídeo ótimo para aprender a maquilhar os olhos. Fui lá espreitar e daqui a pouco vou experimentar. Depois, conto como foi...

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Receita do ano novo

por Ni, em 31.12.11

Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 
 


Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumidas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 
 


Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.

 

Carlos Drummond de Andrade

 

...aqui, deste lado da montanha.
 

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Passagem de ano

por Ni, em 31.12.11

 

2011 foi um ano de tréguas. Principalmente comigo. Fiz as pazes com o meu corpo de mãe e toda a gente gostou, porque eu trambém aprendi a gostar. Pus de lado as desconfianças, e preparei-me para não me aborrecer com as desilusões com as pessoas. Eu, às vezes, mais do que as vezes que queria, também me desiludo e também desiludo os outros, sei bem disso. Fiz as pazes com os meus filhos... todos os dias, às vezes, muitas vezes ao dia e dediquei todos os momentos deste ano a amá-los.

 

Em 2011 chorei de felicidade. Sabem quantas vezes uma pessoa chora de felicidade? São momentos únicos que marcam as nossas vidas, que atravessam a pele, o tempo e nos constroem a alma. Assim, veio até mim a minha doce J., tal como eu previra, a enriquecer-me e a tornar este ano especial.

 

Para além disto, balanços, não faço. Para além disto, o que escrever não será aqui...

 

...aqui, deste lado da montanha.

 

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Passagem de ano

por Ni, em 29.12.11

Gosto de festejar a passagem do ano. Também gosto de festejar a passagem dos meses e dos dias, mas, isso, parece que sou só eu e não dá para fazer um grande festa só com uma pessoa. Mesmo assim, às vezes, celebro a passagem dos dias. Canto, danço, alegro-me.

 

A grande diferença da celebração da passagem dos dias para a passagem do ano é que somos mais e, por isso, normalmente, a festa é maior. Este ano, desde o primeiro dia do ano, não queria ir para mesmo sítio. Este ano, afinal, vou para o mesmo sítio. Sinto um misto de se for mau, já estava à espera, e se não for mau, foi melhor do que estava à espera... O importante não é a passagem do ano. O importante é a passagem dos dias do ano.

 

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A herança

por Ni, em 29.12.11

Este blog é uma herança. É uma brincadeira, também, porque, ao ler a agenda do lar para 1964, percebi que a mulher de hoje não é muito diferente da mulher de há 48 anos atrás: uma mulher que é esposa, mãe, bonita, inteligente, trabalhadora, sábia, poupada, educada, prendada, enfim, mulher!

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A herança

por Ni, em 28.12.11

As coisas têm a importância que nós lhes damos. Não sei quantas vezes ouvi esta frase à Tia, a propósito de pessoas, de ações, de atitudes, de palavras... mas, a bem dizer, parece-me que quando dizia "as coisas" nunca se referia mesmo a coisas. Porém, as coisas também têm a importância que nós lhes damos:

Continuamos as nossas obras infindáveis de reconstrução da casa da Tia, continuamos a aproveitar cada horinha para limpar, pintar, fazer, refazer... e, às vezes, isso é tão bom. Acho que aquela casa está cheia de boas vibrações.

 

Garantidas as divisões essenciais para a habitabilidade da casa, passámos, ontem, ao meramente acessório: o escritório. Agora, nem percebo como deixei passar tanto tempo antes de olhar com olhos de ver cada estantezinha, cada papelinho desta pequena divisão. Os livros não passam de uma dezena, mas cada um é uma revelação, para quem, como eu, se perde do tempo entre as folhas de um livro.

 

Apaixonei-me por dois: uma relíquia de 1877, que vale por cada ano que tem, e um outro que é uma preciosidade, pela imagem feminina que deixa esboçada e porque, se as coisas têm a importância que nós lhes damos, a esta coisa, inexplicavelmente,  eu resolvi dar uma importância do tamanho de um blog.

 

A relíquia:

            

 

A minha joia:

 

 

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Então é Natal...

por Ni, em 23.12.11

Estou quase, quase a sobreviver a este fim de ano, só para dizer que é Natal. E jogo para trás das costas o internamento no Hospital, outra vez, ligado a oxigénio, outra vez, o assalto à carrinha durante uma das festinhas de escola,pela primeira vez, o despiste de automóvel, outra vez, o carro na oficina, que não anda e vai custar caro, outra vez, os jantares da escola, apressados, a receio, a vir embora, outra vez, as reuniões de filho ao colo, a riscar avaliações, a impedir-me de falar, outra vez. As lágrimas nos olhos, que não saem, não saem, outra vez...

Então é Natal... outra vez.

 

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De pernas para o ar

por Ni, em 15.12.11

O que me incomoda, entristece, deprime, deixa desnorteada não são as discussões na escola, não são as avaliações de professores, não são as birras dos miúdos, não são as desilusões com as pessoas, não são os jantares a que falto. O que me deixa de cabelos colados ao chão é sentir o meu filho a tremer de febre, é ver que o ar parece não ser suficiente, é vê-lo assim postrado, a gemer baixinho, encostado a mim.

 

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A pele que há em mim

por Ni, em 12.12.11

quando o dia entardeceu 
o teu corpo tocou num recanto do meu: uma dança acordou 
o sol apareceu, de gigante ficou. num instante apagou o sereno do céu 
e a calma a aguardar lugar em mim. o desejo a contar segundo o fim 
foi num ar que te deu, o teu canto mudou. o teu corpo do meu uma trança arrancou 
o sangue arrefeceu, o meu pé aterrou. minha voz sussurrou: o meu sonho morreu.. 

dá-me o mar, o meu rio, minha calçada. dá-me o quarto vazio, da minha casa. 
vou deixar-te no fio da tua fala. 
sobre a pele que há em mim.. tu não sabes nada. 

quando o amor se acabou 
o meu corpo esqueceu o caminho onde andou, nos recantos do teu 
e o luar se apagou. a noite emudeceu. o frio fundo do céu foi descendo, e ficou 
mas a mágoa não mora mais em mim. já passou, desgastei, para lá do fim. 
é preciso partir: é o preço do amor, para voltar a viver.. 
já nem sinto o sabor a suor e pavor, do teu colo a ferver, do teu sangue de flor. 
já não quero saber.. 

dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada. o meu barco vazio, na madrugada 
vou deixar-te no frio da tua fala 
na vertigem da voz quando, enfim,.. se cala. 

 


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Para ti

por Ni, em 11.12.11

Este post é só para ti. Sei que virás aqui, hoje, amanhã, e depois, à espera de ler " dentro de mim" aquilo que julgas que ainda não disse (mas já, só que noutro sítio). E não compreendes porquê e começas a ficar triste, porque querias mais do que aquilo que digo, mais do que aquilo que faço. Queres que diga-escreva a intensidade do meu amor. 

 

Doce J.,

as pessoas parecem não compreender por que é que me perco de mim e do tempo quando te olho.Perguntam-me "o que é?", como se tivesse de haver uma razão para perder-me a olhar para ti. A única razão és tu. Deste-me este sentimento novo, de um amor irresponsável, a possibilidade de amar só por amar, sem querer saber de limites. Por isso, vou continuar a perder-me do mundo, enquanto te olho, apaixonada, embevecida...

 

...aqui, deste lado da montanha.

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