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Folha de papel

por Ni, em 23.05.11

"Já não podia continuar a enganar-se. Aquela brincadeira tornara-se desesperante, um sufoco. Agora, os olhos de Laura não passavam de um labirinto onde estava perdido, enredado, prisioneiro. 

- Alô! Estou a falar contigo!

Virou-se e encontrou os olhos dela, que procuravam uma resposta nos seus. Porque é que as perguntas dela já não eram as certas para as respostas que ele tinha?

- Sim, estou a ouvir-te..."

 

...aqui, deste lado da montanha.

 

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As mulheres da minha vida

por Ni, em 23.05.11

Não sou pessoa de uma mulher só. Tenho quatro. Quatro meninas diferentes, por quem sinto amores diferentes, com quem vivo de formas diferentes. 

Este fim-de-semana duas das mulheres da minha vida fizeram anos, por isso, foram dois dias em grande, de beijos, de desejos de muitos mais anos, de vontade de partilhar mais, de vivermos mais, de sermos mais. Sabe tão bem celebrar um aniversário de quem se gosta!!!

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Para quem não sabe:

os professores são avaliados por colegas que não são, necessariamente, seus superiores. Muitas vezes somos avaliados por colegas que, no próximo ano, serão avaliados por nós.

Os professores são avaliados por colegas que não têm, necessariamente, mais formação. Muitas vezes somos avaliados por colegas que no final da aula nos perguntam como se faz determinada actividade ou como dominamos tão bem determinado conteúdo.

Os professores são avaliados em função de cotas que não são, necessariamente, acessíveis a todos os avaliados. Muitas vezes a minha aula até foi excelente, mas como o avaliador sabe que só há cota para um execelente (e ele também está a ser avaliado...) a classificação atribuída é muito bom, porque não há cotas. Um professor pode ouvir "a tua aula foi excelente, mas só vais ter muito bom, porque não há cotas" e isto é estranho, muito estranho!

Os professores que fazem aulas observadas fantásticas não são, necessariamente, os que fazem as melhores aulas não observadas. Nem vou comentar. Fico chocada ao ver colegas que nunca prepararam uma ficha das mais básicas para os seus alunos, de repente, aperecerem com estratégias do arco da velha, actividades mirabolantes a rasar as artes circenses, enfim, uma fantochada!

Os professores são avaliados de uma forma numa escola, mas se estivessem na escola ao lado teriam outra avaliação, porque há mais cotas, ou os avaliadores são menos exigentes, ou a escola tem outros critérios...

 

Como vêem, esta parte da avaliação já é suficientemente irritante, mas irritante, irritante, ao ponto de te enjoar é veres que os professores deixaram de andar preocupados com os resulatdos das actividades que fazem, para passarem a estar preocupados com as evidências do que fazem. Eu explico: os professores têm de apresentar evidências do que fizeram (relatórios, actas, planificações, assinaturas, papéis, papéis, papéis...), então, muitos colegas deixaram de centrar os seus objectivos nos alunos, na comunidade escolar e passaram a centrá-los, unica e exclusivamente, em evidências, e isto, isto é extremamente lamentável!

 

Houve uma época em que o professor estava no centro do processo educativo, de seguida, esse lugar foi ocupado pelo aluno e, agora, não tenho dúvidas de que a avaliação de professores ocupa esse lugar fulcral do processo educativo. Nas escolas, tudo é, tudo se faz, tudo acontece em função da avaliação de professores... Mas ninguém está a ganhar com isso.

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Escuridão

por Ni, em 16.05.11

Depois de mais uma noite de Urgências (até às cinco da manhã), a tentar que o meu bébucho conseguisse respirar - estava com hipoxemia-, percebo que, infelizmente, os procedimentos são cada vez mais familiares, as pessoas reconhecem-me nos corredores, os médicos falam comigo como se eu fosse da área... no entanto, nada me habitua à falta de ar, ao sufoco, aos choros e lamentos, nada me prepara para o eventual internamento... Sei que esse é o caminho acertado, mas é um caminho escuro, negro, solitário. 

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Para lá da vontade

por Ni, em 05.05.11

Para lá da vontade, era necessário que eu tivesse tempo para vir aqui escrever umas coisas. Ah! e também era bom que tivesse algum dinheiro extra para viajar... Restam-me as viagens pelos caminhos dos meus sonhos e o esforço para arranjar uns trocados.

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Sombras

por Ni, em 05.05.11

Imaginem um miúdo de 5º ano, extremamente magro, magro demais, com a cara marcada, as costas marcadas, sem conseguir mexer um braço. Imaginem que o aluno chora convulsivamente e treme de forma incontrolável, porque lhe tinham dado socos, lhe tinham batido com um chinelo e lhe tinham torcido o braço atrás das costas, ameaçando apenas parar quando ele tivesse o braço partido. Imaginem que o aluno chora desesperadamente enquanto responde, entre soluços nos lábios e terror nos olhos: "foi o meu pai".

 

E desde então uma sombra enche-me o peito e teima em não sair e eu sinto-me inútil, incapaz, culpada. Não somos todos culpados?

 

...aqui, deste lado da montanha. 

 

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Que tristeza que os professores continuem a ser tão mal vistos por todos! Logo pela manhã, numa história triste inventada por dois autores (um adulto e uma adolescente), ele começa por dizer que detesta professores, que eles estão mais ou menos entre os políticos mentirosos e os cantores de músicas que falam da crise (mau demais!) e ela pega na história para dizer que os professores são tão maus que batem nos alunos e os castigam violentamente... {#emotions_dlg.blushed} 

 

Era apenas uma pequena história, mas entristece-me saber que estes são os professores que fazem parte do imaginários da maioria das pessoas.

 

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Os miúdos

por Ni, em 04.05.11

Os miúdos não páram de me surpreender: entre o desespero de dizer (gritar??!!), até à rouquidão, "está quieto", "não mexas aí", "come", "cala-te", "senta-te", "apanha os brinquedos", "não batas na mana", não batas no mano", "tira os dedos do nariz, da boca, do lixo, da sanita..." e outras barbaridades; estava eu a dizer, entre o desespero de já nem eu suportar a minha voz e a impaciência que vai aumentando para além de um limite que eu considerava inultrapassável, entre a espada e a parede, sou assaltada por dúvidas constantes sobre educação, sobre ser mãe, sobre amor.

 

Ah!, sim, sinto um certa inveja dos que estão tão certos acerca da boa educação que dão aos seus filhos, tendo-a como a correta, a adequada, a infalível. Eu, pelo meu lado, nunca tenho a certeza se vou pelo caminho certo. Já me enganei, já me arrependi, já voltei atrás. 

 

Vou andando, olhando para os lados, vendo o que os outros fazem, vendo que filhos têm. Vou tentando, errando... aprendendo a ser mãe. E são sempre eles, os miúdos, que me ensinam.

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Mãe com "p" de pai

por Ni, em 01.05.11

Hoje devia escrever acerca da alegria de ser mãe, de como os meus filhos encheram a minha vida de felicidade; devia escrever acerca do amor, que não se pode medir porque não tem fim, que sinto por eles. No entanto, ao escolher as palavras certas, tropeço sempre no teu nome: tu que com o teu amor me fizeste mãe, tu que me ajudas, todos os dias, a ser uma mãe melhor, tu que divides comigo as tristezas de os ver tristes, de os ver doentes, tu que me dás a força de um pai, quando uma mãe precisa da força de um pai... 

 

A mãe que hoje sou não é feita só de mim, nem de amor maternal. A mãe que hoje sou é feita de mim contigo a meu lado.

 

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Maternal_mente

por Ni, em 01.05.11

A minha mãe não me levou à porta da escola, não me deu a escolher o almoço, não brincou comigo nos fins de tarde, não me leu histórias ao adormecer; a minha mãe não partilhou segredos comigo, não soube quem eram os meus namorados adolescentes, não conhecia as minhas amigas de escola, não me levou a acampamentos, nem a discotecas, não me comprou roupas de marca. A minha mãe não me deu prendas por passar de ano e proibiu-me de ler...A minha mãe ralhou-me muitas vezes, bateu-me, poucas. 

 

A minha mãe foi, sem dúvida, a melhor mãe que eu poderia ter tido. Ensinou-me que a crescer também se aprende, mostrou-me que a vida é uma luta constante pela felicidade. Com ela, aprendi que as coisas não acontecem a partir do nada e percebi que o amor é um sentimento que não está pronto a consumir. O amor é feito de pequenas palavras e de grandes silêncios partilhados, porque a minha mãe sempre me obrigou a beijá-la todos os dias, quando a deixava e quando a reencontrava e, muito mais tarde, percebi que esses beijos eram o selo de um amor que não acabará nunca, o selo de um amor que não acabava nunca com a distância, qualquer que ela fosse, de uns 500 metros até à escola primária, ou de uns 500 quilómetros até ao local de trabalho. Hoje sei que a minha mãe está sempre para mim, é um exemplo, uma heroína e, acima de tudo, o meu colo!

 

...aqui, deste lado da montanha!

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