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Passagem do ano

por Ni, em 31.12.10

Já se sabe, pelo que disse aqui, que a festa de amanhã vai ser apenas simbólica, porque a minha passagem de ano será, novamente, íntima, pessoal e, provavelmente, em Fevereiro...

 

É tempo de balanço, de pesar as coisas boas e as coisas más do ano de 2010 e a primeira coisa que me vem à cabeça é que este ano, das viagens com os miúdos ao Hospital, não houve estadias com direito a pensão completa e, só por isso, só por isso, o ano foi tão bom!

 

Se houvesse dúvidas, 2010 trouxe um casamento inesquecível, uma viagem a Londres, a dois!; um concerto dos U2; colegas, eventuais amigos, novos; um trabalho estimulante; e, claro, a família, sempre a família, mais forte, e os amigos, a cada dia, mais amigos.

 

2010 trouxe apenas um momento de grande tristeza, um momento de ausência que se estendeu até à saudade, à lembrança doce, à estrela a brilhar no céu... mais uma, a iluminar os caminhos até ao outro lado da montanha.

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Ainda o Natal

por Ni, em 30.12.10

Já lá vai o espírito natalício, a azáfama, as filhós, os presentes, agora é já tempo de preparar outra festa, outra celebração, no entanto aqui, em o outro lado da montanha, ainda nada se disse sobre o Natal e não é por falta de assunto ou inspiração, mas, apenas, porque o tempo insiste em me escorrer por entre os dedos.

 

Como tem acontecido nos últimos anos, o Pai Natal apareceu de repente e, mais uma vez, o papá estava na casa de banho. Como tem acontecido nos últimos anos, houve alguma vergonha a falar com o Pai Natal, que teve direito à declamação da peça de teatro "A ceia de Natal", algum nervoso miudinho e excitação na apresentação do mano ao Pai Natal e, ao contrário do que tem acontecido nos últimos anos, algum tempo depois do Pai Natal ter ido embora houve revelações inovadoras: "O Pai Natal é muito parecido com o meu pai... acho que o Pai Natal é o meu pai mascarado..." "O quê? O Pai Natal é o papá? O que é que disseste?- gritámos todos mais ou menos alarmados e a resposta crescida "Já estou a ficar farta desta conversa... vamos falar de outra coisa. Eu sei que o Pai Natal é uma pessoa que vive muito longe, no Pólo Norte." Fim de conversa.

 

...aqui, deste lado da mont cxzza<anha.

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Tempos de mãe

por Ni, em 15.12.10

Às vezes, só às vezes, muito de vez em quando, em horas mais ou menos iguais às de hoje, parece-me que me falta qualquer coisa nesta coisa de ser mãe, parece-me, até, que não vou aguentar, que as lágrimas vão rebentar, que vou gritar de desespero... Depois, os minutos vão passando e o choro dele torna-se saudades, os pedidos de colo são a minha ausência, as birrices para comer são apenas sono, as palavras bruscas dela tornam-se saudades, os pedidos de brincadeira são a minha ausência, as parvoíces são apenas chamadas de atenção. Depois, os minutos vão passando e parece-me que me falta qualquer coisa nesta coisa de ser mãe, parece-me, ainda mais, que não vou aguentar, que as lágrimas vão rebentar, que vou gritar de culpada...

 

Sou só eu, ou ser mãe é, também, este estado de culpa por não ter tempo, não ter tempo, não ter tempo? Os dias a passar, os jantares por fazer, os relatórios avaliativos por escrever, a roupa por passar, as fotos por imprimir, as prendas por comprar, a casa por arrumar, o homem por mimar, os miúdos por acarinhar e não, nunca, ter tempo...

 

Querido Pai Natal, este ano acho que me portei mais ou menos bem, por isso, gostaria de te pedir umas horas para fazer o que me apetecer. Isso ou faz-me ganhar o euromilhões para arranjar uma empregada!

PS: É bom que te esforces, Pai Natal, ou terei que começar a portar-me mal...

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Rendo-me...

por Ni, em 12.12.10

Se há coisa que me irrita profundamente são ideias feitas, chavões do senso-comum e, pouco teimosa como sou, todos sabem bem disso..., luto afincadamente contra tudo o que é frase generalista, que qualquer estranho nos diz na rua, ou qualquer melhor amigo nos diz no sofá da nossa casa. Assim, eu deveria estar aqui a bradar bem alto que, desculpem lá, rapazes e raparigas é tudo a mesma coisa, que tudo depende da educação/personalidade da criança, que os gostos por bonequinhas/bolinhas só depende do que se lhes dá... eu deveria estar aqui a contestar todos as falsas razões que tenho ouvido nos últimos dias com estes meus, tão sábios, argumentos.

 

Não fosse o raio do miúdo gostar de andar de mota antes de conseguir dar um passo, não fosse ele ter dito bó, logo a seguir a dizer mamã e papá (por esta ordem), não fosse ele ter cinco pontos na cabeça ao fim dum ano, não fosse ele querer abrir os legos com a chave de fendas para descobrir o que está lá dentro, não fosse o raio do miúdo nem pestanejar durante o jogo de futebol do padrinho, não fosse ele querer atirar-se para cima de tudo o que pareça carro, mota ou bicicleta, e eu até poderia argumentar. Deste modo, resta-me apenas a triste realidade: é de gajo!

 

Não me surpreenderia que amanhã ou depois deixasse as meias no meio do chão e a toalha molhada em cima da cama...

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Coisas boas da vida

por Ni, em 05.12.10

Vejo a chuva atirada contra os vidros da janela, ouço o vento nos ramos da pequena oliveira do jardim, adivinho o frio do lado de lá das portas, mas aqui dentro, com a lareira acesa, os miúdos atarefam-se a escolher bolas, a atirá-las ao ar, a estender fitas, a colocar estrelas. Nós dois brindamos com um bom vinho, olhamo-nos, sorrimos, tentamos preencher os minutos em que não temos tempo, apenas não temos tempo. Ouvimos músicas de Natal, enquanto a miúda tenta perceber o que são aqueles bonecos de barro, porque é que o burro está ao pé do bebé, diz "coitadinho, não tem roupa" e nós sorrimos e os nossos olhos dizem que apenas não temos tempo, e que somos felizes.

De repente, as urgências e a ambulância já estão longe, os pontos na cabeça do miúdo lembram-nos, apenas, a sua traquinice e podemos respirar um pouco aliviados, porque há instantes que valem horas.

 

...aqui, deste lado da montanha.

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