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Contagem decrescente

por Ni, em 29.06.10

Faltam dois meses para termos uma grande festa, com gente gira e bem-disposta. A miúda anda ansiosa. E nós todos também. É como os preparativos para uma viagem, sinto um nervoso miudinho, uma alegria que antecipa outra alegria, e futilidades, boas futilidades, como os sapatos, os vestidos, os fatos, os penteados, os acessórios, ah! e, claro, a despedida de solteira .

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Noite branca

por Ni, em 28.06.10

Gosto de tardes de domingo ao sol, a bebericar, a petiscar, a conversar e parece-me que os meus filhos estão a "arranjar casa" na vida de que eu gosto, a fazer-se a ela, a fazer-se aos meus amigos e isso é bom.

 

Falta apenas perceberem que as tardadas não significam noites sem dormir .

 

...aqui, deste lado da montanha.

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Para ti

por Ni, em 28.06.10

Falta-me o tempo para as palavras, faltam-me as palavras para este tempo, mas encontro  e sinto em mim as palavras de Vinícius de Moraes, que dedico a ti, meu amor.

...aqui, deste lado da montanha.

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Maternal_mente

por Ni, em 28.06.10

Por vezes, a luta entre a mulher e a mãe é tão grande que por entre unhadas e puxões de cabelos, mordidelas e pontapés, fica um sentimento no peito, uma sensação de incerteza, que, de repente, parece governar toda a minha vida. Entre o certo e o errado, o coração e a razão, quem me poderá valer? Sei que sim, mas a vontade teima em chegar. Sei que é certo, mas hesito. Devo celebrar, mas a tristeza insiste em ficar. A culpa, a culpa... a culpa pelo que fiz, a culpa pelo que não fiz, a culpa pelo que ficou meio feito...

 

Resta-me apenas a certeza de que da luta, da dúvida, da ansiedade ou da tristeza acabará por sobressair toda a minha humanidade.

 

...aqui, deste lado da montanha.

 

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Saramago

por Ni, em 19.06.10

Detestei o primeiro livro que li da primeira vez (depois disso já o reli 2 vezes e já o estudei-ensinei umas quantas).

 

Pus de lado, decidida a não gostar do autor, a dizer que não gostava do autor, mas, felizmente, uma amiga daquelas amigas que dizem coisas que nós nunca haveremos de esquecer na vida e que haveremos de dizer muitas vezes a outras amigas, disse-me que só se gosta de um autor, ou não, depois de se lerem três obras dele - e toma lá três livros do Saramago que é para veres se gostas ou não...

 

Comecei a ler, pensando a cada página, não hei-de gostar, não hei-de gostar. Na página cinquenta estava rendida. Não parei enquanto não li os três livros, e depois mais três, e depois mais três, e depois mais três. O último que li dele foi Caim.

 

Gosto de Saramago, daquela escrita que me provoca, que me arranha as ideias, que me faz pensar, que me faz discutir. Ah! Que belas discussões eu tive com os meus alunos por causa de Saramago! Quantos o foram ler à procura da audácia que eu li nas suas palavras!

 

Hoje, Saramago junta-se a Eça e a Pessoa.

 

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Depois de uma semana a dormir a noite inteira, sem interrupções para biberões ou brincadeiras fora de horas, eis que volto ao mesmo estado de sonolência-quase-delírio, que me dá este mau-humor insuportável, esta impaciência para lidar seja com o que for, a juntar a uma sensação de angústia que não sei bem explicar a que se deve: às mazelas que vão atormentando a minha menina, ao trabalho que se acumula, à progressão na carreira que ninguém sabe explicar como se processa, à necessidade de estar sozinha, à casa que nunca mais é pintada, à roupa que se acumula pelos cantos da casa, às arrumações que quero fazer em casa, à falta de condições para mudar o miúdo do meu quarto, à vontade de namorar, ao dinheiro que não chega para nada...

 

Tudo isto por umas noites mal-dormidas.

 

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Dias de generosidade

por Ni, em 13.06.10

Aos meus filhos, ofereço todos os meus livros, porque neles estão as histórias, as emoções, as aprendizagens, as personagens que eles hão-de rever, tantas vezes, nas suas vidas.

 

Ao meu marido, dou tudo o que escrevi, as minhas cartas, os meus diários, os meus apontamentos, as minhas canções, os meus poemas, os meus amores, os meus ódios, as minhas paixões, as minhas raivas, as minhas palavras, a minha intimidade.

 

À minha mãe, dou a flor mais rara do mundo, porque, por mais que eu lhe dê, há-de ser sempre pouco, comparado com o tanto que ela me dá.

Ao meu pai, dou uma sepa, porque o seu trabalho, a sua paciência e generosidade transformá-la-ão numa vinha enorme repleta de frutos.

 

À minha linda irmã, ofereço uma paleta de cores para ela (continuar a) encher as vidas dos que a rodeiam de cores.

Ao meu cunhado, dou um plantel porque a determinação também distingue um campeão.

 

À minha sogra, ofereço uma outra casa minha para ela encher de rendas, croché, ponto cruz, artes decorativas, bibelots e jarras com molhos de cravos e rosas e gladíolos e camélias, porque por trás destas diferenças está o respeito e o carinho grande.

Ao meu sogro, dou os meus jogos, para que continue a ser o avô que joga às cartas e ao dominó e vai ao café estar com os amigos.

 

Aos meus amigos, dou um banco, uma cadeira, uma espreguiçadeira, um sofá, uma poltrona, uma rede brasileira, para aí comermos, rirmos, jogarmos, chorarmos, conversarmos, fofocarmos, dançarmos.

 

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Saltar a linha

por Ni, em 07.06.10

Na minha abstinência forçada de bebidas alcoólicas , deprime-me ver alguém com os copos. A linha entre o estar alegre e o estar bêbado é demasiado ténue para se distinguir quando se está sóbrio e, provavelmente, quando se salta a linha, alguém sofre com isso.

 

 

 

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Componentes

por Ni, em 07.06.10

Todos (todas?) sabem que os homens vêm equipados com determinados componentes que os distinguem de nós na medida do "deixa-me acabar a cerveja que eu vou já ali apanhar as cuecas que estão no chão desde há três dias", mas será possível desligar o componente do "a minha mulher demorou 15 minutos numa loja, saiu de lá com dois sacos na mão e eu não lhe pergunto o que ela comprou"? É que mexe-me com os nervos, mexe mesmo!!! Nem falo do escandaloso desinteresse, mas onde raio é que eles enfiam a curiosidade???

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Presente sem embrulho

por Ni, em 04.06.10

Tu disseste-me logo que íamos ser amigas. Eu não respondi, mas pensei que estavas enganada. Durante muito tempo tentei convencer-me de que estavas enganada. Somos diferentes e eu gostava de usar a minha armadura anti-amigas novas...

 

Abriste-me a tua casa, "emprestaste-me" os teus amigos, apresentaste-me à tua terra e eu tremi de insegurança por ter vontade de te chamar amiga.

 

Tu entraste, assim, inesperada, na minha vida e demos gargalhadas juntas, meias entoldadas pelas caipirinhas. Demos garagalhadas sóbrias. Abraçámo-nos. Dançámos até cair ( e afinal há alguém que demora mais tempo a cair que eu...) e eu comecei a pensar que gostaria de poder chamar-te amiga.

 

Viste as minhas lágrimas e um pouco da minha alma. Eu vi as tuas lágrimas e um pouco da tua alma. Conhecemo-nos na tristeza.

Levaste-me bolos cheios de doçura, de amparo e carinho, no momento mais triste da minha vida e foste solidária a comê-los comigo. E eu senti-te amiga. 

Levaste-me lembranças cheias de alegria, de esperança, de desejos de felicidade, nos dois momentos mais felizes da minha vida e foste a única a fazê-lo, para além da minha família. E eu senti-te uma amiga da família.

 

Eu quis não ser tua amiga, mas tu conquistaste-me com a tua inteligência, a tua boa-disposição, o teu ombro amigo, a tua teimosia, o teu humor, a tua capacidade de te entregares, a tua generosidade, a tua amizade.

 

PARABÉNS, AMIGA!!

 

 

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