Eu quero dançar, dançar perdidamente!
Dançar só por dançar: aqui... além...
Com Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Dançar! Dançar! E não dançar com ninguém!
A sério, fazia-me bem...
...aqui, deste lado da montanha.
Eu quero dançar, dançar perdidamente!
Dançar só por dançar: aqui... além...
Com Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Dançar! Dançar! E não dançar com ninguém!
A sério, fazia-me bem...
...aqui, deste lado da montanha.
A imagem da deputada italiana Licia Ronzulli com o bebé ao colo, que circulou e circula por muitos meios de comunicação, pode até ser um sinal da luta pela melhoria das condições das mulheres que são, simultaneamente, mães e trabalhadoras. Quanto a mim, nada me angustia mais.

Não é a imagem, entenda-se, mas rever-me nela.
Já se sabe que os professores não fazem nada e têm três meses de férias, pelo menos!, mas, para lá disso, dia sim, dia não, deparo-me com esta triste missão de ter de levar os meus filhos para as reuniões, sempre em horário pós-laboral. Dois filhos que não se contentam nunca em ficar a dormir ao meu colo, mas que precisam de atenção, de falar, de desenhar, de brincar, de comer, de fazer qualquer coisa. É sem orgulho nenhum que os levo comigo, num esforço que se divide entre ser mãe e professora.
...aqui, deste lado da montanha.
Se eu, agora, decidir desligar o computador, deixar os trabalhos da escola por fazer, as camas por arrumar, a roupa por dobrar, e calçar umas sapatilhas, e for correr, na praia, de preferência, isso também é mudar de vida, não??! E posso? E logo, não vou ter vontade de me suicidar por ter tentado mudar de vida?

Sou só eu ou toda a gente chega ao final do dia de domingo a achar que a partir de amanhã é que vai ser? Ah! e como amanhã é para começar a sério, sem doces, sem gorduras e com muito exercício todos os dias, hoje até podemos abusar só um bocadinho... só hoje! Amanhã, tolerância zero!
E sou só eu ou toda a gente já percebeu que, na manhã de terça-feira, a tolerância já é de dez, porque, caso contrário, não vamos aguentar a dieta, e hoje não vou poder ir à ginástica, e preciso de energia para trabalhar?
E sou só eu ou toda a gente já percebeu que na terça-feira à noite, afinal tens um jantar na quinta, e os miúdos precisam de um docinho de vez em quando, e sexta não vais poder ir outra vez à ginástica, o melhor é adiar a dieta até à próxima segunda. Sim, boa ideia. Segunda-feira é um ótimo dia para começar a fazer dieta. O melhor é ir buscar as bolachinhas de terça-feira à noite...
...aqui, deste lado da montanha.
Julgo que todas as mães, até mesmo aquelas que, como eu, acreditam que a educação é um processo cheio de avanços e recuos e com tantas aprendizagens para os filhos como para os pais, até mesmo essas mães que, como eu, não têm certezas e hesitam, até mesmo essas mães, tal como eu, um dia pensaram que os seus filhos não iriam gritar, nem fazer birras em público, nem diriam em casa dos amigos que não gostam da comida, pensaram que os filhos não iriam põr os pés em cima das cadeiras, nem iriam ter os brinquedos desarrumados, nem, no limite, estragar documentos importantes na casa dos outros... Enfim, tal como diz uma amiga minha, que nunca vem ver o meu blog, os filhos dos outros parecem sempre piores do que os nossos. Concordo com ela.
Às vezes há dois miúdos a brigar, mas se calha um deles ser o nosso filho, não há dúvidaque o outro é o bruto, mal-educado que levou o nosso a defender-se...
A propósito, exclusivamente, dos meus filhos:
Toda a gente sabe que os filhos são ternos
Que são espertos a valer
Até mesmo sem querer
Não riscam cadernos, não riscam cadernos
Toda a gente sabe que os filhos são ternos
Toda a gente sabe que os filhos são lindos
Deixam os pais conversar
E com os amigos falar
E sempre sorrindo, e sempre sorrindo
Toda a gente sabe que os filhos são lindos
Mas os filhos das outras não,
Porque os filhos das outras são
O exemplo da má-criação
Um erro de educação
Cruéis criaturas
De outra espécie feroz
Que servem para fazer maldades
Até aos próprios avós
Tudo o que os filhos são
(Tudo o que os filhos são)
Os filhos das outras não
Toda a gente sabe que os filhos são tudo
Gostam de músicas que estão na moda
Nunca comem sem o talher
Um super-miúdo, um super-miúdo
Toda a gente sabe que os filhos são tudo
Toda a gente sabe que os filhos são elegantes
Que comem muitos legumes
E nunca deixam a sopinha
Na na na na na, na na na na na
Toda a gente sabe que os filhos são elegantes
Mas os filhos das outras não,
Porque os filhos das outras são
O exemplo da má-criação
Um erro de educação
Cruéis criaturas
De outra espécie feroz
Que servem para fazer maldades
Até aos próprios avós
Tudo o que os filhos são
(Tudo o que os filhos são)
Os filhos das outras não
...aqui, deste lado da montanha.
Há algo de espantoso no poder de uma lingerie. No fundo, aquilo que vestes por dentro reflete um pouco da tua intimidade mais secreta, invisível a todos os comuns, visível apenas aos olhos dos eleitos. E lingerie nem sequer significa de renda, vermelha ou requintada. Pode até ser apenas uma coisinha bem simples, de algodão rosa bebé, que se cola às linhas mais salientes do teu corpo, deixando adivinhar as outra; mas que isso faz diferença, faz. A alma de uma mulher, o espírito dos seus dias, reflete-se muito na lingerie que escolhe.
...aqui, deste lado da montanha.
Logo à noite vai ser assim:
É mesmo possível fazer destas coisas sem bimbys. Aqui fica a receita da minha pavlova:
Piquei (sim, na picadora) 250g de açúcar que ficou quase em pó (mesmo sem bimby); bati 4 claras em castelo e fui juntando o açúcar aos poucos, até ficar sólido. Acrescentei uma colher de farinha maisena e um pouco de essência de baunilha. Depois, deitei o merengue numa forma de fundo amovível (a minha é anti-aderente) e levei ao forno pré-aquecido a 150º, durante 1h25m (para a próxima experimento com menos 5 minutos).
Deixei arrefecer e tirei da forma.
Bati as natas (a receita dizia 300ml, mas como eu gosto pouco de natas, pus apenas um pacote de 200ml e abusei na fruta) e, quando estavam expessas, acrescentei morangos cortados aos pedaços. Por fim, a filhota tratou de sugerir a decoração. Claro que, com a ajuda dos pequenos, os morangos iam desaparecendo à velocidade de um "ai". É preciso ser muito rápida, para ter com o que decorar
.
PS: Aquela rachadela do meregue ficou na foto como prova da curiosidade do meu filhote.
...aqui, deste lado da montanha.
Parece-me mesmo a propósito a recomendação da agenda do lar para o dia de hoje. Com este sol todo já dá vontade de arrumar de vez as roupas de inverno que já estiveram mesmo, mesmo, dobradinhas e embaladas, mas que, devido à interrupção brusca, lá tiveram de voltar aos armários. Agora, deve ser definitivo. Por isso aqui fica, do tempo das avós:
"Como combater as traças
Antes de arrecadar os seus vestidos e casacos de inverno limpe-os de nódoas e liberte-os de pó, porque a menor mancha ou menor traço de poeira é um chamariz de traças.
Costuras, bainhas, interior dos bolsos, tudo deve ser bem escovado e limpo.
Depois disto, embrulham-se os abafos, as peles, e tudo, enfim, que se limpou e não servirá senão no inverno, em papel de jornal humedecido com terebintina, pois a tinta de impressão, referçada com a terebintina tem um forte poder inseticida. Para maior intervenção pode-se meter a roupa assim embrulhada em sacos de papel não cosidos mas colados, para ser menos provável a entrada do insecto. No exterior de cada saco descreve-se o conteúdo."
Devo lembrar que mantenho a linguagem exata do que está escrito na agenda de 1964, com alterações de ortografia e, eventualmente, pontuação. De resto, é mesmo plágio... ainda que entre aspas...
Agora, vou pôr mãos à roupa e limpar e arrumar o que houver para limpar e arrumar. Nesta tarefa ingrata, dá-me apenas alento a esperança cada vez mais ténue de descobrir alguns cêntimos, que alguém tenha esquecido num dos bolsos...
...aqui, deste lado da montanha.
Ando bastante desconfiada da autoria desta minha herança. Há uma não sei o quê neste texto que remete para a eterna discussão dos amantes da literatura acerca da escrita feminina e da escrita masculina, sendo que os indícios de homem-macho eram bem mais evidendes em 1964, não vos parece?
PARA CONSERVAR A FELICIDADE CONJUGAL
"Eis algumas regras sobre a felicidade conjugal. É, pelo menos, o que se apurou num referendo [referendo??] muito sério [ah!! amostra exclusivamente masculina]:
- Não deves vestir-te pior depois da cerimónia do casamento que antes. Não esqueças nunca que a caça ao amor está encerrada mas que é preciso conservar prisioneira a tua ave rara [o marido?? toda a gente sabe que... os maridos das outras são aves raras...].
- Não descures a saúde do teu marido. Para o fazer, pequenos (hum... talvez não fosse má ideia considerar a hipótese de uma ligeira alteração ao texto)pratos cozinhados com cuidado não são de afastar.
- Rejubila se o teu companheiro dispõe de alguns dias de repouso. Mas não aproveites estas horas de descanso para o reter no lar, fazê-lo pregar uma tábua, pintar de novo a cozinha [coitadinho!]. Propõe-lhe ir à pesca, à caça. Ele voltará mais amável contigo.
- Evite [ai agora já e evite? até aqui era deves para cá, não aproveites para lá, mas agora que é para falar do senhor marido já tem de ser evite. Pois, certo.] fazer-lhe observações irónicas sobre as suas manias, defeitos, diante de parentes, amigos. Frisa, sem cessar, mas com gentileza, o que és a seus olhos."
Risinhos entre parêntesis retos à parte, não há dúvidas de que estas regras são um bom ponto de partida para qualquer pessoa.
Vista-se bem. Importantíssimo para que a auto-estima esteja em grande. Se te sentes bem contigo, sentes-te bem com todos, logo, também com o teu marido.
Não descure a saúde. Corpo são em mente sã... meio caminho percorrido.
Saia para ir à caça. Tem de haver um eu e um outro, para que uma relação resulte. Tem de haver espaço para a singularidade de cada um, tem de haver respetio pela pessoa, quer goste de ir à caça ou de ler...
Por fim, mostre amor. Intimidade, cumplicidade, amizade implicam isso mesmo.
Nada de novo, portanto...
...aqui, deste lado da montanha.
As possibilidades daquilo que sempre considerámos impossível são infindáveis.
...aqui, deste lado da montanha.